Investidores Institucionais Estão Comprando – Tese de Investimento em Bitcoin

Disclaimer/Aviso Legal: O Autor e o site não estão orientando, indicando nem sugerindo a realização deste tipo de investimento e não se responsabilizarão por qualquer perda ou prejuízo causado pela realização de qualquer compra ou investimento em criptomoedas. Se eventualmente você está interessado neste tipo de investimento ALTERNATIVO procure se informar antes e de forma detalhada sobre o funcionamento deste mercado, do ativo que foi escolhido e principalmente sobre os riscos de investir em ativos digitais.

I - Investidores Institucionais Estão Comprando

Do limite máximo de 21 milhões de bitcoins que poderão ser minerados, até outubro de 2020 já foram minerados cerca de 18,4 milhões. E onde estariam os bitcoins teoricamente em condições de circular (descontando-se os que estão perdidos num volume que não se sabe ao certo, se e quando voltarão a circular)? Boa parte deve estar guardada em carteiras bem protegidas de pessoas que não tem a menor intenção de se revelar, independentemente da quantidade.

Antes de prosseguir vale a pena registrar que a quantidade estimada de bitcoins que teriam sido mineradas pelo criador (ou um deles) do Bitcoin Satoshi Nakamoto (se ele, ela ou eles ainda estiver(em) vivo(s) e em condições de acessá-los) é de aproximadamente 1.0 a 1.1 milhão de bitcoins (na cotação de 23 outubro de 2020 algo em torno de 13 bilhões dólares ou mais ou menos 70 bilhões de reais). Essa estimativa foi feita a partir de análises realizadas nos blocos 1 a 36288 criando-se o que é conhecido como Padrão de Patoshi que é uma forma de tentar identificar blocos minerados por um único minerador a partir do bloco gênesis.

Por outro lado, de acordo com o site bitcointreasuries que monitora dados contábeis de empresas que são obrigadas a divulgar seus dados cerca de 620 mil bitcoins ou quase 3% do limite total de 21 milhões de bitcoins está entesourado em carteiras digitais deste tipo de empresa (principalmente empresas gestoras de ativos financeiros). Considerando o preço do bitcoin em 23 de outubro de 2020 o total alocado pelas empresas analisadas pelo site é de cerca de 8 bilhões de dólares. Uma das teses defendidas por quem acredita na consolidação do bitcoin como ativo financeiro é a chegada deste tipo do investidor institucional que é obrigado a submeter seus dados contábeis regularmente para análise de auditoria externa além de divulga-los periodicamente para o público em geral, não se restringindo aos sócios e investidores diretos. As três empresas com mais bitcoins registrados contabilmente em seus balanços, são Grayscale, CoinShares e MicroStrategy de acordo com levantamento do site citado acima. Existem diferenças entre uma e outra empresa mas o que importa é saber que determinada quantidade de bitcoins está vinculado a uma empresa de softwares ( MicroStrategy ) ou a um empresa que compra e faz a custódia em nome dos seus acionistas ( Grayscale ) ou compra e “armazena” em nome dos seus clientes investidores ( CoinShares ).

Os dados do texto são baseados na primeira imagem. Nos últimos dias a Grayscale aumentou a sua posição. Deixo as duas imagens a disposição:



fonte: bitcointreasuries.org

A terceira posição é ocupada pela MicroStrategy Inc que tem ações negociadas na bolsa americana Nasdaq . A MicroStrategy tem como foco desenvolver softwares para análise de dados, não é uma empresa de gestão de ativos financeiros, muito menos especializado em criptomoedas. Ela tem reservas financeiras (dinheiro em caixa) que os controladores investem no mercado financeiro para usar futuramente para expandir a empresa, comprar equipamentos, comprar uma nova sede ou adquirir outra empresa. Neste ano a MicroStrategy decidiu investir 250 milhões de dólares em ativos chamados de alternativos, tais como ouro ou criptomoedas. No fim acabou aportando todo o montante de 250 milhões de dólares em bitcoins, comprando exatos 21.454 bitcoins em agosto de 2020 (pagou cerca de 11.650 dólares por cada bitcoin e enquanto estou escrevendo este texto cada bitcoin está valendo cerca de 13.000 dólares. Os 250 milhões de dólares estão valendo cerca de 279 milhões de dólares em outubro de 2020). Em setembro de 2020 ela decidiu investir mais 175 milhões de dólares comprando 16.796 bitcoins e pagando cerca de 10.420 dólares cada bitcoin. O total de bitcoins comprados é de 38.250 e a preços de 23 de outubro de 2020 que é de cerca de 13.000 dólares temos um saldo de mais ou menos 497 milhões de dólares, um ganho aproximado de 72 milhões de dólares ou cerca de 390 milhões de reais em cerca de três meses (agosto a outubro/2020). Mas é preciso ter os pés no chão. Poderia ter acontecido o inverso e os preços poderiam ter caído para menos de 10 mil dólares. De acordo com a tese de investimento da empresa de gestão de ativos Fidelity , este tipo de gente ou de empresa investe em média 5% em ativos chamados alternativos, sempre pensando a longo prazo (contado em anos). Pode ser que os administradores da MicroStrategy tenham aportado muito mais do que os 5% padrão do mercado institucional por mera convicção, mas neste momento devem estar bem satisfeitos com a escolha que fizeram.


obs.: se precisar, opção de legenda em português está disponível, basta configurar.

Atualização: 29/10/2020: No dia 28/10/2020 Michael Saylor, fundador e CEO da MicroStrategy disse que tem pessoalmente 17.732 bitcoins comprados ao preço de USD 9.882.


Imagem do Twitter: https://twitter.com/michael_saylor

A segunda colocada no ranking é a CoinShares que é uma empresa inglesa especializada em gestão de ativos financeiros com foco em criptomoedas (Bitcoin, Ether, Litecoin, Ripple/XRP etc.). A CoinShares lançou seu fundo de investimentos em bitcoins no ano de 2014. De acordo com o site bitcointreasuries a CoinShares tem 69.730 bitcoins. Esse montante de bitcoins representa pouco mais de 906 milhões de dólares, ou cerca de 4.9 bilhões de reais na cotação do dia 23 de outubro de 2020. Como um dos fatores que afastam os investidores deste tipo de empresa de gestão de ativos é a desconfiança (ficam em dúvida se a empresa realmente está comprando e guardando as criptomoedas) recentemente a CoinShares contratou a empresa de auditoria Armanino Accounting and Auditing com sede nos Estados Unidos que fará acompanhamento em tempo real da quantidade de ativos digitais sob custódia da CoinShares . Apesar de ter quase 70 mil bitcoins e ocupar a segunda posição no levantamento do site bitcointreasuries a CoinShares perde de longe para a primeira colocada, que é sua concorrente direta, segundo afirmação da própria CoinShares.

Outra empresa que publica seus dados e que detém a grande quantidade de bitcoins é um fundo americano que investe em bitcoins, a Grayscale Bitcoin Trust Fund com mais de 2,1% do total de 2,85%, ou seja, ela tem 449,596 bitcoins.


Fonte: https://twitter.com/Grayscale/status/1319378605357621249

O fundo de investimentos GBTCGrayscale Bitcoin Trust Fund tem ações negociadas numa Bolsa conhecida como OTC. O mercado OTC que significa over-the-counter é administrado por uma empresa conhecida como OTC Markets Group . A coisa mais próxima sem ser igual que temos aqui no Brasil é o chamado mercado de balcão. No mercado OTC as ações são negociadas e transitam diretamente entre as corretoras sem a participação de uma Bolsa. Mesmo se tratando de compra e venda de ativos fora das Bolsas tradicionais como a NYSE ou a Nasdaq também não funciona na base do vale tudo. As empresas têm que divulgar seus dados contábeis e submeter-se a fiscalização de um agente público americano como a SEC – Securities and Exchange Commission (equivalente à nossa CVM) ou outro órgão de fiscalização equivalente.

A Grayscale tem foco na captação de investimentos junto aos chamados investidores institucionais (institucionais vem de instituição e no Brasil, por exemplo, tem que ter CNPJ) como por exemplos fundos de pensão, seguradoras, fundos de investimento etc.). Além do fundo de bitcoins a Grayscale também administra outros fundos de criptomoedas como Bitcoin Cash, Ethereum e Ethereum Classic, ZCash, XRP/Ripple, Litecoin e Stelar . O Trust é um tipo de empresa que não é permitida no Brasil, mas que é reconhecida internacionalmente, onde uma pessoa entrega bens para ser gerenciada por outra pessoa (chamada de curador). Em 13/10/2020 uma ação da GBTC – Grayscale Bitcoin Trust Fund estava cotada em cerca de 12,2 dólares.

Cotação GBTC 13 10 2020
Fonte: https://finance.yahoo.com/quote/GBTC/

Em termos monetários a quantidade de bitcoins em poder do fundo GBTC representa um montante aproximado de 5.8 bilhões de dólares ou cerca de 31,5 bilhões de reais baseado na cotação do dia 23 de outubro de 2020. Pensando em dólares o percentual de bitcoins é pequeno em relação a outros tipos de ativos alternativos entesourados pelos investidores (títulos do tesouro americano, ações, ouro etc.). De acordo com um relatório da Fidelity citando dados da CAIA Association – Chartered Alternative Invesment Analyst , no final de 2018 o montante global investido em ativos era de cerca de 116 trilhões de dólares. Em 2018 o montante alocado em investimentos alternativos era de aproximadamente 12% ou cerca de 13.4 trilhões de dólares. De acordo com o site CoinMarketCap o valor de mercado do bitcoin em 31 de dezembro de 2018 era em torno de 66 bilhões de dólares com cada bitcoin valendo cerca de 3.800 dólares. Se eu não errei nas contas o bitcoin não representava nem 0,5% dos 13.4 trilhões alocados em investimentos alternativos e de alto risco. Essa conta é um dos argumentos que motiva aqueles que acreditam no aumento do preço do bitcoin. Ainda citando como fonte dados publicados pela CAIA Association , o relatório da Fidelity estima que mais de 50 trilhões de dólares estão alocados em títulos da dívida pública incluindo títulos em dólar e outras moedas dos outros países. Se 1% desse montante que não está rendendo praticamente nada de juros migrar para a compra de bitcoins, o valor de mercado do bitcoin chegaria a 500 bilhões de dólares. Isso levaria o preço do bitcoin para a casa dos 27 mil dólares ou cerca de 146 mil reais.

BTC Market Cap 31 12 2018
Fonte: coinmarketcap.com

Existem fundos com ativos superiores a 1 trilhão de dólares, como por exemplo o Social Security Trust Funds (Fundo de Pensão Americano) que tem cerca de 2,9 trilhões de dólares em ativos sob gestão. O Government Pension Investiment Fund Japan (Fundo de Pensão japonês) tem mais de 1,5 trilhão de dólares. A Ping An Insurance (Seguradora) chinesa tem mais de 1,1 trilhão de dólares em ativos (as seguradoras cobram os prêmios de seguro e investem em ativos para honrar os futuros pagamentos de sinistros). A Norway Government Pension Fund Global (é um Fundo Soberano que são criados e gerenciados por Governos) tem 1,1 trilhão de dólares em ativos.

A perspectiva de alocação de um pequeno percentual de recursos dentro das regras conservadoras que norteiam estes grandes fundos é um dos fatores que tem animado o mercado institucional. Se isso vier a acontecer será algo que vai se retroalimentando e animando outros investidores. Notícias pontuais como a entrada do PayPal também ajudam, mas em nossa opinião os efeitos são de curto prazo e ajudam a “bombar” o preço por algum tempo, mas esse tipo de “hype” acaba passando. A entrada dos investidores institucionais é algo muito mais sólido e duradouro. Esse tipo de gente ou de empresa não tem 116 trilhões investidos nos mercados financeiros globais por sorte ou por acaso. E por causa disso, em média, colocam até 5% de todo o seu dinheiro neste tipo de investimento alternativo. Essa é uma dica que não deve ser desprezada. Não coloque dinheiro da feira em ativos de risco, se quiser investir use o dinheiro da pinga.

Existe outro tipo de apuração de saldos (milionários) baseado na quantidade de criptomoedas mantidas em carteiras individuais. De acordo com o site Decrypt existem 17 mil milionários baseados nos saldos de carteiras individuais de bitcoins. A regra para apurar esses 17 mil milionários foi considerar carteiras digitais com saldo em torno de 95 bitcoins (na época da apuração) que equivale a cerca de 1 milhão de dólares, ou aproximadamente 5.4 milhões de reais.

Este texto não levou em consideração o saldo mantido em custódia pelas Corretoras (Exchanges) nas suas carteiras digitais. A propósito essas Corretoras costumam ter “n” carteiras de criptomoedas.

Na segunda parte que postaremos nos próximos dias, abordaremos alguns pontos da tese de investimento em bitcoins de uma das maiores empresas de gestão de ativos, a Fidelity.

https://grayscale.co/

https://finance.yahoo.com/quote/GBTC/

https://www.swfinstitute.org/fund-rankings/

https://caia.org/

Disclaimer/Aviso Legal : O Autor e o site não estão orientando, indicando nem sugerindo a realização deste tipo de investimento e não se responsabilizarão por qualquer perda ou prejuízo causado pela realização de qualquer compra ou investimento em criptomoedas. Se eventualmente você está interessado neste tipo de investimento ALTERNATIVO procure se informar antes e de forma detalhada sobre o funcionamento deste mercado, do ativo que foi escolhido e principalmente sobre os riscos de investir em ativos digitais.

II – Tese de Investimento em Bitcoin da Fidelity (a)

A Fidelity Digital Assets (b)

A Fidelity é uma empresa americana de gestão de ativos com sede em Boston. Tem 12 escritórios regionais e 190 escritórios locais em praticamente todos os estados americanos. Tem cerca de 45 mil funcionários sendo 5 mil na sede, em Boston. A Fidelity atende mais de 32 milhões de investidores individuais e administra programas de benefícios para funcionários de mais de 22 mil empresas americanas. Com base em dados de junho/2020 o total de ativos dos clientes sob sua gestão era de 8.3 trilhões de dólares equivalente a cerca de 45 trilhões de reais. Os clientes da Fidelity realizam mais de 2 milhões de transações por dia no mercado financeiro.

Em 2015 a Fidelity já facilitava a compra de criptomoedas para seus clientes. Em outubro de 2018 a Fidelity criou uma empresa voltada especificamente para a gestão de ativos digitais, a Fidelity Digital Assets .

Os serviços que ela oferece no segmento de ativos digitais são basicamente os seguintes: custódia de ativos digitais em carteiras seguras (se você já tem as criptomoedas), compra e faz a custódia (se você quer comprar e deixar as criptomoedas sob custódia deles) e indica investimentos aos seus clientes (faz relatórios com análises, tendências etc.).

Para oferecer esse tipo de atendimento aos clientes é preciso fazer análises e estudos detalhados do próprio ativo, do mercado, do cenário atual numa visão mais ampla e analisar as perspectivas futuras dos ativos indicados, escolher e ouvir pessoas influentes e diretamente envolvidas no processo (investidores , analistas, gestores da indústria de ativos digitais etc.) para saber quais são suas teses e conjugar todos os dados obtidos para elaborar relatórios para seus clientes.

Entre o mês de novembro de 2019 e início do mês de março de 2020 a Fidelity Digital Assets fez uma pesquisa © com cerca de 800 investidores institucionais dos Estados Unidos e da Europa. A pesquisa revelou que um número crescente desse tipo de investidor acha que os ativos digitais devem fazer parte do seu portfólio. Esse número é maior na Europa do que nos Estados Unidos. Quase 80% dos entrevistados tem algum interesse em ativos digitais e cerca de 36% declararam possuir ativos digitais em seu portfólio. Isso pode ser constatado na primeira parte desta postagem.

Com base no resultado dessa pesquisa a Fidelity Digital Assets está emitindo uma série de relatórios tendo com título principal “BITCOIN INVESTMENT THESIS” (em tradução livre: Tese de Investimento em Bitcoin) . Como são relatórios com uma visão do bitcoin como alternativa de investimento (e) o foco é essencialmente financeiro. Para publicar relatórios otimistas sobre o provável e promissor futuro do bitcoin é preciso entender o que está por trás do bitcoin. Os aspectos da tecnologia são tratados de forma simples, direta e objetiva, sem entrar em detalhes muito técnicos porque não é o foco do trabalho. É possível falar da tecnologia e do Blockchain de uma forma clara e focada naquilo que interessa aos investidores. Outro aspecto que vale a pena ressaltar é o momento em que os relatórios estão sendo publicados, após o início da pandemia e já incorporando no estudo os eventuais efeitos decorrentes da pandemia nas decisões de investimento dos especialistas que contribuíram no processo de elaboração do relatório. O primeiro relatório publicado em julho de 2020 tem como subtítulo: “ AN ASPIRATIONAL STORE OF VALUE” (em tradução livre: Uma Promissora Reserva de Valor) . (d) O segundo relatório foi publicado em outubro de 2020 e tem como subtítulo : “BITCOIN’S ROLE AS AN ALTERNATIVE INVESTMENTO” (em tradução livre: Bitcoins Como Investimento Alternativo). Os links dos relatórios estarão no final de cada texto para cada um analisar e buscar as suas próprias conclusões. Segue um resumo dos principais pontos abordados no primeiro relatório.

Relatório publicado em julho de 2020 - Uma Promissora Reserva de Valor

Fatores apontados no relatório que fazem o bitcoin ser considerado promissor como uma reserva alternativa de valor:

  1. Existe a percepção de que ainda não foi amplamente aceito dentro do universo de investidores institucionais. Aparentemente os investidores institucionais ainda não se convenceram e na dúvida entre o bitcoin e outros ativos alternativos, boa parte ainda escolhe outros ativos alternativos. Um dos motivos desta escolha ainda é o pouco conhecimento desta tecnologia. Na medida em que ela se tornar mais conhecida e seus fundamentos se tornarem mais difundidos seu potencial deverá crescer. Outro motivo que afeta essa escolha é a volatilidade, que é tratado no item 2.

  2. A volatilidade que assusta investidores tradicionais também é vista como algo positivo porque atrai atenção e pode, por exemplo, impulsionar a criação de novos produtos que possam se beneficiar desta volatilidade. O que explica em parte essa volatilidade é a sua oferta inelástica, sua negociação ininterrupta em qualquer lugar do mundo vinte e quatro horas por dia, inclusive nos finais de semana e feriados, sua exposição nas redes sociais com notícias que nem sempre se confirmam mas ajudam na disseminação e no ingresso de novos participantes investindo ou desenvolvendo produtos e serviços. Entre os que já investem e tem algum conhecimento da tecnologia existe a percepção de que o bitcoin ainda é um investimento alternativo em fase inicial e, portanto, sujeito a maior grau de volatilidade. Com o passar do tempo, com maior aceitação e adoção por parte de grandes investidores seu valor (preço) tende a aumentar, mas em algum momento deve se estabilizar. Nesse ponto a volatilidade deverá diminuir, mas continuará existindo por causa das características já citadas anteriormente;

  3. De acordo com o relatório uma boa reserva de valor deve ter as seguintes características: escassez, portabilidade, durabilidade e divisibilidade. O bitcoin se encaixa nesta categoria, é portável, durável, divisível e escasso. Os analistas e investidores que já compraram enxergam no bitcoin uma rede robusta, descentralizada e baseada na criptografia para fundamentar a confiança na manutenção dessa escassez programada digitalmente. Depois que Larry Tesler criou o comando copiar e colar ( ctrl+c e ctrl+v ) parecia impossível evitar a cópia de um arquivo digital. A poderosa indústria da música e dos filmes não conseguiu criar algo que impedisse as cópias. Até que em 2008 surgiu o Bitcoin aproveitando questões como avanço da computação, criptografia, teoria dos jogos e pagamento de incentivos para criar uma tecnologia chamada Blockchain que literalmente acabou com esse problema. Foi o fim do problema aparentemente insolúvel do gasto duplo e o bitcoin tornou-se praticamente impossível de ser copiado, criando-se a escassez programada digitalmente. Nem mesmo um aumento brutal da quantidade de força computacional dirigido para a mineração dos bitcoins é capaz de afetar essa escassez, o sistema se auto regula de tempos em tempos aumentando ou diminuindo a dificuldade para controlar a emissão de novos bitcoins. Adicionalmente a rede Bitcoin é robusta, com força computacional gigantesca e funciona de forma descentralizada, sem interferência de um agente centralizador.

  4. No médio prazo as baixas taxas de juros, os níveis sem precedentes de estímulo financeiro via emissão de dinheiro e fiscal via redução de impostos (f) e a desglobalização podem ajudar na consolidação do bitcoin como ativo alternativo aceito pelos investidores institucionais. De acordo com o relatório, desde o início da pandemia 285 medidas de estímulo foram implementadas (exemplos: emissão de moeda, concessão de empréstimos e pagamento de benefícios). Essas medidas podem gerar inflação e por consequência gerar perda do poder de compra. Neste tipo de cenário incerto, de acordo com o relatório, os investidores buscam se proteger procurando alternativas seguras como imóveis e metais preciosos. Talvez alguns desses investidores passem a prestar atenção no bitcoin como proteção contra a inflação, os juros baixos e como ativo alternativo com potencial de valorização. Ainda de acordo com o relatório desde a crise de 2008 a globalização está diminuindo e a desglobalização ganhou força com a pandemia. As cadeias de abastecimento globais sofreram os efeitos da Covid19. Países começaram a fechar fronteiras, bloquear aeroportos e atrasar e até suspender exportações principalmente de bens de consumo e de vários bens de produção. As estimativas da OMC – Organização Mundial de Comércio são de uma queda entre 13 e 32% no comércio mundial em 2020 por causa da Covid19.

  5. Os fatores que podem influenciar no longo prazo são dois, uma inflação “lenta e estável” (transcrevo o original: (…“slow and steady” inflation…) e uma grande transferência de riqueza para pessoas mais jovens que são mais favoráveis aos ativos digitais. No longo prazo o objetivo das grandes fortunas é preservar a sua riqueza, traduzido por poder de compra. A longo prazo até o dólar se deprecia e perde poder de compra se ficar exposto a períodos inflacionários duradouros e estáveis. Por causa disso os grandes investidores procuram investir em ativos que preservem e até aumentem o poder de compra no longo prazo. Outro aspecto que é estudado pelos investidores como um possível catalisador da valorização e consolidação do bitcoin como possível reserva de valor é o comportamento da geração “Y” também chamada de millenials, (g) nascidos entre 1981 e 1996. Estudo citado no relatório da Coldwell Bank de outubro de 2019 concluiu que uma riqueza estimada em 68 trilhões de dólares foi transferida para as mãos dessa geração, que é muito mais receptiva as criptomoedas. Outras pesquisas feitas com os integrantes desta geração mostram que eles confiam pouco nas instituições financeiras tradicionais que dizem ter sido feitas para favorecer ricos e poderosos.

Cada um dos fatores acima é abordado com detalhes ao longo do primeiro relatório, incluindo dados e gráficos.

O relatório conclui que o bitcoin tem características que o credenciam para se tornar uma promissora reserva de valor. Para que essa expectativa se mantenha é preciso que a demanda pelo bitcoin continue sendo sustentável. Entre os motivos que podem colaborar para essa sustentação estão as consequências imprevisíveis dos estímulos financeiros e fiscais, que ainda são desconhecidos e a massiva transferência de riqueza para as mãos da geração “Y” que é muito mais receptivo a novas tecnologias e não tem simpatia por grandes instituições financeiras. Diante deste cenário investir uma pequena parte das reservas em bitcoin pode ser considerado como uma espécie de “apólice de seguro” diante das incertezas que se projetam para o futuro ou para ficar num clichê do momento, no mundo pós pandemia .

Para não ficar muito extenso os principais pontos do segundo relatório sairão numa terceira parte.

a - https://www.fidelity.com/about-fidelity/our-company

b - https://www.fidelitydigitalassets.com/overview

c - https://www.fidelitydigitalassets.com/articles/institutional-digital-asset-survey-report

d - https://www.fidelitydigitalassets.com/bin-public/060_www_fidelity_com/documents/FDAS/bitinvthessisstoreofvalue.pdf

e - https://www.blackrock.com/br/recursos/educacao/centro-de-formacao-sobre-investimentos-alternativos/o-que-sao-investimentos-alternativos#alternative-investments

f - https://en.wikipedia.org/wiki/Tax_Cuts_and_Jobs_Act_of_2017
f - https://www.nytimes.com/2018/01/17/technology/apple-tax-bill-repatriate-cash.html

g - https://finance.yahoo.com/news/bitcoin-rivalry-gold-plus-millennial-154337073.html

Disclaimer/Aviso Legal : O Autor e o site não estão orientando, indicando nem sugerindo a realização deste tipo de investimento e não se responsabilizarão por qualquer perda ou prejuízo causado pela realização de qualquer compra ou investimento em criptomoedas. Se eventualmente você está interessado neste tipo de investimento ALTERNATIVO procure se informar antes e de forma detalhada sobre o funcionamento deste mercado, do ativo que foi escolhido e principalmente sobre os riscos de investir em ativos digitais.

III – O Bitcoin Como Alternativa de Investimento, Tese da Fidelity

Entre os cerca de 800 entrevistados da pesquisa realizada pela Fidelity quase 60% acha que um portfólio de investimentos deve ter ativos digitais na quota dos investimentos alternativos.

Com base no resultado desta pesquisa a Fidelity está divulgando relatórios com o título principal de “BITCOIN INVESTMENT THESIS” (em tradução livre: Tese de Investimento em Bitcoin). O foco destes relatórios é o bitcoin, que além de ser o primeiro também é considerado o ativo digital mais importante da categoria. O bitcoin é considerado um ativo não correlacionado, que serve para melhorar o resultado de uma carteira contrabalançando o menor rendimento dos ativos clássicos. Neste segundo relatório foram abordados o interesse e as justificativas para procurar investimentos alternativos, quais são as características do bitcoin para se tornar uma opção de investimento num portfólio de longo prazo e uma análise histórica (simulada) do impacto do bitcoin num portfólio.

Na definição do relatório da Fidelity investimentos tradicionais são ações e debêntures de empresas de capital aberto negociadas em bolsa, papéis de renda fixa emitidas por governos e empresas com rating ou grau de investimento classificados na categoria de bom pagador e dinheiro em espécie (A). Em princípio tudo que não se enquadra na categoria anterior entra no grupo de investimento alternativo. Nesta categoria devem estar os aportes realizados em ativos que não sofrem oscilação na mesma proporção em que os investimentos tradicionais são afetados. Eles também são conhecidos como ativos não correlacionados e incluem obras de arte, fazendas, fundos multimercado alavancados e papéis de renda fixa de empresas sem grau de investimento que tenham garantias sólidas, como imóveis. Outros tipos de investimentos alternativos: a) Private Equity (B) investimento focado nas empresas em formação e que ainda não abriram seu capital; b) LBO – Leveraged Buyouts © que são operações de compra de empresas com dinheiro emprestado; c) Risky Debt ou Distressed Investing (D) que consiste na compra de dívidas de empresas em dificuldades e até mesmo em recuperação judicial; e d) Structured Products (E) são operações estruturadas com produtos diferentes para tentar garantir um rendimento mínimo durante o prazo da operação. O COE – Certificado de Operações Estruturada é um dos tipos de operação estruturada dentro da categoria de investimentos alternativos que deve receber um aporte pequeno em relação aos demais ativos tradicionais na visão dos investidores institucionais.

Os investimentos alternativos exigem ferramentas personalizadas para fazer a gestão e para avaliar os riscos e retornos. Nem sempre o investidor tem histórico deste tipo de ativo e muitas vezes as ferramentas usadas para avaliar os investimentos tradicionais não são os mais adequados.

Os quatro pontos principais do segundo relatório em nosso modesto resumo são:

  1. Crescimento do Interesse em Investimentos Alternativos. Um dos fatores é bem conhecido, o baixo rendimento dos títulos de renda fixa, outro é que o mercado de ações já caiu antes e existe uma desconfiança de que pode cair novamente (Investidores institucionais estão presentes no mercado desde que ele nasceu, já vivenciaram outras crises e sabem muito bem os estragos que uma crise provoca num portfólio de investimentos). Citando um estudo da CAIA Association – Chartered Alternative Investment Analyst (F) os investimentos alternativos representavam 4.8 trilhões equivalente a 6% do mercado global de investimentos de 80 trilhões de dólares em 2003 e tinham atingido 12% no final de 2018 equivalente a 13.4 trilhões de um mercado global que tinha crescido para 116 trilhões de dólares. A CAIA ainda projeta uma evolução para a faixa dos 18 a 24% até 2025. De acordo com outra pesquisa mais recente (2020) citada no relatório da Fidelity , feito pela Willis Towers Watson’s Thinking Ahead Institute que é específico sobre fundos de pensão com 47 trilhões de dólares em ativos a evolução partiu de 6% em 1999 para os atuais 23% de alocação em ativos considerados alternativos em 2020. Outro estudo da NACUBO – National Association of College and Univesity Business Officers (G) feito com 774 fundos patrimoniais de universidades americanas apurou que boa parte deles aloca cerca de 43% em ativos alternativos. A Preqin (H), uma empresa especializada na realização de análise e assessoria em investimentos alternativos, realizou uma pesquisa com 50 investidores em junho de 2020. Comparando o sentimento dos investidores antes e depois da Covid-19 quase 80% disse que vai manter ou aumentar o percentual alocado em investimentos alternativos ainda em 2020 e mais de 40% acha que suas carteiras de investimento no longo prazo serão afetadas negativamente pela Covid-19.
  2. Justificativas para escolher investimentos alternativos. Os investidores institucionais distribuem seus recursos num portfólio com objetivos e funções diferentes: diversificar e reduzir riscos, obter retornos maiores e gerar renda. A diversificação é baseada na clássica teoria de Harry Morkowitz (I) que consiste em incluir ativos alternativos que não tenham uma correlação tão direta com os ativos tradicionais para servir de proteção contra possíveis perdas nos ativos tradicionais. As escolhas não recaem somente nas opções disponíveis em bolsa, avançam para outras áreas como private equity incluindo empresas com potencial e que ainda não abriram seu capital no portfólio. No relatório a Fidelity menciona pesquisa de 2019 da Natixis Investment Managers (J) onde 71% do universo de 500 investidores institucionais entrevistados acredita que é aceitável correr o risco de realizar aportes neste tipo de investimento considerando o potencial mais elevado de retorno que podem conseguir. Outra conclusão do relatório, citando estudos da JP Morgan Asset Management (K) , constatou que diante das baixas taxas de juros investir em imóveis pode gerar uma renda maior do que os que são pagos pelos ativos tradicionais.
  3. Motivos para Investir em bitcoin. O principal motivo é o mesmo de investir em outros ativos alternativos que é diversificar e obter retornos maiores. E quando os níveis das taxas básicas de juros estão próximos e até abaixo de zero o interesse aumenta. O relatório traz um estudo onde demonstra que a correlação do bitcoin com outros ativos tradicionais ainda é baixa, baseado nos seguintes fatores: a) os retornos alcançados pelo bitcoin não dependem dos mesmos fatores que impulsionam os retornos dos outros ativos tradicionais. Ao contrário dos ativos vinculados ao desempenho das empresas o bitcoin não tem balanço para ser analisado e não sofre efeitos como os que foram e estão sendo causados na economia pelo Covid-19. O preço do bitcoin pode variar por motivos próprios como o evento periódico do halving (L) ou pela quantidade de citações nas redes sociais. Outro fator que pode estimular é a entrada dos investidores institucionais amparados em análises mais elaboradas, como se percebe pelos relatórios da Fidelity (eles não fazem investimentos por impulso) são motivados pelo potencial de retorno do bitcoin no longo prazo. O estudo da CAIA , já citado anteriormente, avaliou o mercado global de investimentos em 116 trilhões de dólares e dimensionou a fatia total dos investimentos alternativos em 12% equivalente a cerca de 13.5 trilhões de dólares. Se o bitcoin capturar 5% desses 13.5 trilhões de dólares o valor de mercado do bitcoin que atualmente é de cerca de 253 bilhões de dólares saltaria para algo em torno de 675 bilhões de dólares. Se capturar 10% desse montante o valor de mercado chegaria a 1.3 trilhão de dólares. Ainda de acordo com o estudo da CAIA pouco mais de 50 trilhões de dólares estão alocados em títulos (emitidos em dólar e outras moedas) rendendo juros muito baixos. Se apenas 1% desse montante for direcionado para o bitcoin já representaria uma entrada de 500 bilhões de dólares; b) existe uma narrativa dinâmica sobre o bitcoin que não existe nos demais ativos. Estas narrativas ainda não chegaram a um consenso quanto a sua definição como meio de pagamento, reserva de valor ou como investimento alternativo para diversificação de uma carteira e isso pode ser um dos motivos que faz o bitcoin não ter tanta correlação com outros ativos tradicionais. Se as narrativas convergirem para uma única escolha essa baixa correlação poderá mudar, pelo menos em relação a alguns tipos de ativos alternativos. No passado o bitcoin já teve correlação com outros ativos como ouro e ações, mas no longo prazo essa correlação não se mantém. Todavia a maior adoção do bitcoin como alternativa de investimento pode empurrar essa correlação para níveis mais próximos de outros ativos; c) o bitcoin tem baixa representatividade nos mercados globais de investimento. No início o bitcoin foi negociado fora da infraestrutura tradicional dos mercados de investimento (bancos, financeiras, bolsas etc.). Com o passar do tempo a sobreposição entre investidores institucionais e os investidores em bitcoin está aumentando. Investidores profissionais buscam opções mais sofisticadas como fundos, contratos futuros e derivativos de bitcoin que surgiram nos últimos anos. Em alguns países do exterior é possível negociar bitcoin nas mesmas plataformas onde se negociam ações; e d) ao contrário dos mercados tradicionais, dominado pelos investidores institucionais, o bitcoin é mais negociado no varejo. A quantidade de carteiras digitais com menos de 10 bitcoins aumenta continuamente. É um indicativo de que a presença dos investidores de varejo não para de crescer e sinaliza que o bitcoin continuará sendo influenciado pelos investidores do varejo. Desde janeiro de 2012, mês a mês, a quantidade de carteiras com saldo acima de 10 bitcoins vem crescendo, com exceção de apenas sete meses neste período. Esta grande presença de investidores do varejo também pode explicar a falta de correlação do bitcoin com outros ativos considerando que o comportamento dos investidores institucionais é diferente do investidor de varejo. Um dos fatores que pode explicar esse movimento contrário (investidores institucionais numa direção e investidores de varejo seguindo em outra direção) é a necessidade de fazer o rebalanceamento das carteiras. Quando um ativo se valoriza muito é necessário vender parte dele para balancear a carteira. Parece irracional vender um ativo no momento em que ele se valoriza, mas a venda ocorre justamente porque determinado ativo se valorizou a ponto de desequilibrar a distribuição dentro de um portfólio. Neste cenário investidores institucionais vendem para reequilibrar o portfólio e o varejo segue comprando. Outro fator que pode explicar a falta de correlação é a forma como cada lado busca informações. Investidores institucionais contam com assessoria especializada e recebem relatórios fundamentados com análises e recomendações de especialistas em cada tipo específico de investimento, gente que é muito bem remunerada e recrutada nas melhores universidades. Investidores de varejo pegam informações no Twitter, Reddit, Telegram, YouTube e TikTok. Relatórios e análises demoram dias e meses para serem elaborados enquanto nestas plataformas citadas as notícias podem viralizar em poucos minutos. Esse movimento das redes sociais pode explicar outro fator atrelado ao bitcoin que é a sua volatilidade. Além dos pontos elencados nos quatro itens anteriores ainda temos outros fatores que foram citados: liquidez oferecido por um mercado que funciona 24 horas por dia 7 dias por semana negociando quantidades expressivas; acessibilidade para todos os tipos de interessados não havendo restrição geográfica estabelecida pelo bitcoin (restrições podem ser criadas por governos), exigência de valor mínimo como no caso de investimentos em operações estruturadas por exemplo de private equity e negociação via smartphone com baixo custo.
  4. Impacto do bitcoin num portfólio. Para a elaboração do relatório foram realizadas algumas simulações incluindo bitcoins numa carteira teórica. Em todos os cenários a inclusão do bitcoin melhorou o retorno da carteira. Até mesmo uma carteira hipotética criada em janeiro de 2018 com 3% de bitcoin no portfólio teria alcançado um retorno positivo de 1,1% mesmo considerando a queda no preço do bitcoin que ocorreu em 2018. Qualquer inclusão de bitcoin numa carteira implica naturalmente no aumento da volatilidade, mas esse aumento pode ser assumido se o investidor estiver disposto a aceitá-lo em troca de um retorno melhor no longo prazo. Uma consequência da volatilidade do bitcoin é a necessidade de rebalancear periodicamente a carteira de acordo com a oscilação do seu preço. Para incluir bitcoin no portfólio o gestor da carteira terá que ficar atento e ser disciplinado ajustando a carteira para mantê-lo dentro do percentual escolhido.

Entre as conclusões deste segundo relatório destacamos o fato do bitcoin estar relativamente protegido dos efeitos da Covid-19 porque não depende de fatores que afetam as empresas tais como vendas, logística etc. Outra conclusão importante é que ao longo do relatório o bitcoin é analisado merecidamente como investimento alternativo pela baixa representatividade no mundo dos investidores institucionais, seu valor de mercado é de mais ou menos 253 bilhões de dólares em 26/10/2020 e representa cerca de 0,22% dos cerca de 116 trilhões de dólares do mercado global de investimentos. Se eventualmente sua presença aumentar no portfólio dos investidores institucionais o bitcoin pode até mudar de categoria, saindo do grupo de investimentos alternativos para se tornar um investimento independente ocupando uma posição importante num portfólio de investimentos.

Link para o segundo relatório da Fidelity:

A - https://pt.wikipedia.org/wiki/Classificação_de_crédito

B - https://www.fundoversa.com.br/voce-sabe-o-que-e-private-equity/

C - https://www.fundoversa.com.br/voce-sabe-o-que-e-um-leveraged-buyout/

D - https://www.fundoversa.com.br/entenda-o-que-e-development-capital-e-distressed-investing/

E - https://www.e-konomista.pt/o-que-sao-os-produtos-estruturados/

F - https://caia.org/

G - https://www.nacubo.org/

H - https://www.preqin.com/

I - https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_moderna_do_portfólio

J - https://www.im.natixis.com/us/about-us

K - https://am.jpmorgan.com/br/pt/asset-management/adv/about-us/

L - https://portaldobitcoin.uol.com.br/o-que-e-o-halving-do-bitcoin-e-como-pode-impactar-o-preco/

Disclaimer/Aviso Legal : O Autor e o site não estão orientando, indicando nem sugerindo a realização deste tipo de investimento e não se responsabilizarão por qualquer perda ou prejuízo causado pela realização de qualquer compra ou investimento em criptomoedas. Se eventualmente você está interessado neste tipo de investimento ALTERNATIVO procure se informar antes e de forma detalhada sobre o funcionamento deste mercado, do ativo que foi escolhido e principalmente sobre os riscos de investir em ativos digitais.

IV – Análise do JPMorgan indica migração de Investidores Institucionais do Ouro para Bitcoin.

No dia 06/11/2020 foi publicado um relatório elaborado pela equipe de analistas de mercados globais do JP Morgan . O relatório (A) traz uma análise sobre a recente evolução no preço do bitcoin, aponta alguns fatores que podem ter contribuído e sinaliza um alerta para aqueles que investem pensando no curto prazo.

Um dos resultados do estudo indica que o fundo Grayscale (que citamos nas postagens anteriores) aumentou sua captação no mês de outubro enquanto fundos de índice ou ETF ( Exchange Traded Funds ) (B) de ouro contabilizaram pequenos resgates após a metade do mês de outubro de 2020. Ainda de acordo com o relatório o potencial de alta do bitcoin a longo prazo é considerável se ele conseguir competir com o ouro no espaço dedicado aos investimentos alternativos dos portfólios de investimento. Para o bitcoin atingir o mesmo patamar dos investimentos realizados por investidores do setor privado em ouro via ETF, barras ou moedas seu valor de mercado teria que aumentar 10 vezes, partindo do momento atual. Isso levaria o valor de mercado do bitcoin dos atuais 285 bilhões de dólares para a casa dos 2,85 trilhões de dólares ©. O relatório cita que a adoção do bitcoin pelo PayPal pode ser um dos motivos para o recente aumento da demanda (D). O relatório indica que os investidores estão enxergando benefícios na realização de investimentos em bitcoin a longo prazo para compor uma pequena parte da carteira total de investimentos, aquela que é dedicado aos investimentos alternativos. Ainda de acordo com o relatório o recente aumento na demanda não está amparado apenas no grupo de investidores jovens com objetivo de longo prazo e na geração millennials (ou geração X, nascidos entre os anos de 1980 e 2000). Outros investidores como family offices (E) e gestores de ativos estão mostrando interesse no bitcoin. O relatório diz que parte dos investidores estão se utilizando de fundos, como é o caso da Grayscale ao invés de comprar diretamente os bitcoins. O fundo Grayscale recebeu aportes consideráveis no seu fundo nos últimos dias. Comparando os dados de AUM ( Assets Under Management ) ou ativos sob gestão em dólares do print tirado em 22/10/2020 e 10/11/2020 o saldo pulou de 6 bilhões para 7.6 bilhões de dólares em 20 dias. Esse montante que entrou no fundo de bitcoins da Grayscale nesse período equivale a cerca de 8.5 bilhões de reais.
Quanto ao alerta ele se destina aos investidores de curto prazo para uma possível realização (venda) devido aos níveis de preço na casa dos 15 a 16 mil dólares, que pode acionar venda dos traders.


Fonte: https://twitter.com/grayscale

Fonte: https://twitter.com/grayscale

A - https://pt.scribd.com/document/483461013/JPM-Flows-Liquidity-2020-11-06-3551924#fullscreen&from_embed
B - https://www.infomoney.com.br/guias/etf-exchange-traded-fund/
C - https://coinmarketcap.com/
D - https://www.moneytimes.com.br/agora-e-possivel-comprar-e-vender-bitcoin-pelo-paypal-gracas-a-colaboracao-com-paxos/
E - https://www.dicionariofinanceiro.com/family-office/

No dia 17/11/2020 o mexicano Ricardo Salinas Pliego postou no twitter (A) que cerca de 10% do seu portfólio de investimentos é composto por bitcoins. Como não é possível confirmar se realmente tem e quanto tem, ficamos na confiança da palavra de alguém que de acordo com o ranking da Forbes (B) é a segunda pessoa mais rica do México, com uma fortuna estimada em torno dos 11,9 bilhões de dólares ou cerca de 60 bilhões de Reais. Ele é o fundador do Grupo Salinas © que atua em vários segmentos contando com mais de 60 mil empregados em áreas como comunicações (TV Azteca), telecomunicações, serviços financeiros (Grupo Elektra e Banco Azteca) e comércio.


Fonte: https://twitter.com/RicardoBSalinas

A - https://twitter.com/RicardoBSalinas

B - https://www.forbes.com/profile/ricardo-salinas-pliego/?sh=f4f02e413463

C - https://es.wikipedia.org/wiki/Grupo_Salinas

No dia 23/11/2020 o The Wall Street Journal (A) trouxe uma matéria de capa com o seguinte título e subtítulo: " Bitcoin Trades Again Near Record, Driven by New Group of Buyers - Cryptocurrency attracts billionaires Paul Tudor Jones and Stanley Druckenmiller plus momentum investors" em tradução tabajara: Bitcoin está sendo negociado novamente perto do recorde impulsionado por um novo tipo de comprador: A criptomoeda atraiu compradores bilionários como Paul Tudor Jones e Stanley Druckenmiller, além dos investidores eventuais. A parte principal da matéria está num vídeo que pode ser assistido no site do jornal, no link abaixo:

Imagem do site abaixo:

A - https://www.wsj.com/articles/bitcoin-trades-again-near-record-driven-by-new-group-of-buyers-11606127401?mod=searchresults_pos3&page=1

Seguindo na tese principal, a centenária e bilionária família Guggenheim saiu da Suíça no começo de 1800 para conquistar a América. Eles representam bem o que se define como investidor institucional.

GUGGENHEIM FUNDS TRUST - Guggenheim Macro Opportunities Fund (Fund)

Talvez você já tenha ouvido falar num dos vários museus Guggenheim localizados em Nova Iorque, Las Vegas, Veneza, Berlin ou em Bilbao. Quem constrói e mantém os museus Guggenheim é a Fundação Solomon R. Guggenheim (o “R” é de Robert). A fundação (A) foi criada em 1937 e abriu seu primeiro museu em 1939. Tudo começou nos Estados Unidos no ano de 1881 quando Meyer Guggenheim, nascido na Suíça, comprou participação em minas de prata. Quando a primeira guerra mundial acabou a família Guggenheim controlava cerca de 80% do fornecimento mundial de prata. (B) Atualmente o principal negócio da família Guggenheim é a gestão de ativos da própria família e de terceiros administrando uma carteira que gira em torno de 200 bilhões de dólares. A gestão dos ativos é feita através de fundos de investimentos. (‘C’) Um desses fundos é conhecido no mercado americano pela sigla MOF - Macro Opportunities Fund. (D) No último dia 27 de novembro os gestores de fundos do Guggenheim enviaram para a SEC – Securities and Exchange Commission uma atualização ou emenda na documentação dos fundos que eles administram. (E) São aqueles documentos (prospectos) que dizem em que tipo de ativo os recursos serão aplicados (títulos do governo, ações, moedas, outros fundos etc.), quem são os gestores responsáveis pelo fundo, qual é a estratégia para alocação dos recursos, qual é o percentual definido para cada ativo, quais são os riscos etc. A novidade é que num dos fundos administrados pela Guggenheim foi incluído uma emenda definindo que o fundo MOF poderá alocar até 10% dos seus recursos em criptomoedas, de forma indireta, ou seja não vai comprar e controlar diretamente as criptomoedas. Aliás não vai investir diretamente nos Estados Unidos. Os investimentos serão feitos no fundo americano GBTC – Grayscale Bitcoin Trust Fund através de uma subsidiária que tem sede nas Ilhas Cayman , mais conhecido por ser considerado um paraíso fiscal. Se eu olhei direito, o total de ativos do fundo MOF com base no dia 30 de setembro de 2020 é de 6.5 bilhões e o total de obrigações é de 1.7 bilhões sobrando um valor líquido de 4.8 bilhões de dólares. Se o fundo investir o total de 10% desse montante representará, no limite, a entrada de cerca de 480 milhões de dólares no fundo GBTC.


Imagem retirada do prospecto disponível no site: https://www.guggenheiminvestments.com/mutual-funds/fund/gioix-macro-opportunities

A decisão de incluir mais uma opção de ativo não significa necessariamente que eles vão comprar quase 500 milhões de dólares ou mais de 2.5 bilhões de Reais em bitcoins amanhã ou depois de amanhã. Pode ser que não comprem nunca, pode ser que comprem tudo de uma vez ou pode ser que comprem aos poucos. Tudo vai depender dos gestores que agora tem mais essa opção pela frente para tentar obter mais rentabilidade para os cotistas do fundo MOF.

Transcrevo abaixo em versão tabajara a partir do texto original em inglês o tópico do prospecto onde eles alertam sobre os riscos de investir em criptomoedas. Este trecho começa na página 102 do prospecto (E).


Imagem retirada do site: https://sec.report/Document/0001628280-20-016852/gft112020485afidoc.htm

“Risco de investimentos em criptomoedas - As criptomoedas (também conhecidas como “moedas virtuais” e “moedas digitais”) são ativos digitais projetados para atuar como meio de troca. Embora a criptomoeda seja uma classe de ativos emergente, existem milhares de criptomoedas, a mais conhecida das quais é o bitcoin. O Guggenheim Macro Opportunities Fund poderá buscar exposição indireta investindo em bitcoin, investindo até 10% no GBTC ( Grayscale Bitcoin Trust ). Na medida em que o Fundo Guggenhein investir no GBTC, o fará por meio através de uma Subsidiária. Exceto pelo seu investimento no Fundo GBTC, o Fundo não investirá, direta ou indiretamente, em criptomoedas.

Além dos riscos gerais de investir em outros tipos de investimento descritos mais detalhadamente abaixo, o valor dos investimentos indiretos do Fundo em criptomoeda está sujeito a flutuações no valor da criptomoeda, que pode ser altamente volátil. O valor da criptomoeda não é respaldado por nenhum governo, corporação ou outro órgão oficial. O valor das criptomoedas é determinado pela oferta e demanda de criptomoedas no mercado global de negociação de criptomoedas, que consiste principalmente em transações realizadas em bolsas eletrônicas (Exchanges). O preço do bitcoin pode cair vertiginosamente (inclusive para zero) por uma variedade de razões, incluindo, mas não se limitando a, mudanças regulatórias, uma crise de confiança na rede bitcoin ou uma mudança na preferência do usuário por criptomoedas concorrentes. A exposição do Fundo à criptomoeda pode resultar em perdas substanciais para o Fundo.

A criptomoeda facilita a troca financeira ponto a ponto (P2P) descentralizada e o armazenamento de valor que é usado como dinheiro, sem a supervisão de uma autoridade central ou de bancos. Da mesma forma que as moedas fiduciárias (ou seja, uma moeda que é apoiada por um banco central ou uma organização nacional, supranacional ou quase nacional), as criptomoedas são suscetíveis a roubo, perda e destruição. Consequentemente, o bitcoin detido pelo GBTC (e a exposição indireta do Fundo a tais participações) também é suscetível a esses riscos.

Negociações de criptomoedas em bolsas, que são amplamente desreguladas e podem, portanto, estar mais expostas a fraudes e falhas do que as bolsas regulamentadas (supervisionadas por órgãos como CVM e SEC) para títulos, derivativos e outras moedas. Essas trocas podem deixar de operar temporariamente ou mesmo permanentemente, resultando na perda potencial da criptomoeda pelos usuários ou outras interrupções do mercado. As trocas de criptomoedas podem estar mais expostas ao risco de manipulação do mercado do que as trocas por ativos mais tradicionais. As trocas de criptomoedas que são regulamentadas normalmente devem cumprir os requisitos de patrimônio líquido mínimo, segurança cibernética e lavagem de dinheiro, mas normalmente não são obrigadas a proteger os clientes ou seus mercados da mesma forma que as bolsas de valores regulamentadas ou de futuros são obrigadas a fazê-lo. Além disso, muitas bolsas de criptomoedas carecem de certas salvaguardas estabelecidas por bolsas mais tradicionais para aumentar a estabilidade da negociação na bolsa, como medidas destinadas a evitar quedas repentinas no valor dos itens negociados na bolsa (ou seja, “flash crashes”). Como resultado, os preços das criptomoedas nas bolsas podem estar sujeitos a quedas repentinas maiores e mais frequentes do que os ativos negociados nas bolsas mais tradicionais.

As ações da GBTC possuem histórico de negociação e podem ser negociadas com um prêmio ou desconto significativo sobre o valor do ativo líquido. Se o GBTC deixasse de negociar com um prêmio para o seu NAV (Net Asset Value – VPL: Valor Patrimonial Líquido), o valor do investimento do Fundo no GBTC poderá diminuir, mesmo que o valor das participações subjacentes do GBTC em bitcoin não diminua. Além disso, o investimento do Fundo em GBTC estará sujeito às despesas operacionais associadas ao GBTC. Se o GBTC incorrer em despesas em dólares americanos, o GBTC será obrigado a vender bitcoins para pagar essas despesas. A venda de bitcoins da GBTC para pagar despesas em dólares americanos em um momento de preços de bitcoin baixos pode afetar adversamente o valor de um investimento no Fundo.

Atualmente, há um uso relativamente limitado de criptomoeda no mercado de varejo e comercial, o que contribui para a volatilidade dos preços. A falta de expansão por criptomoedas nos mercados de varejo e comerciais, ou uma diminuição de tal uso pode resultar em aumento da volatilidade ou uma redução no valor das criptomoedas, qualquer um dos quais poderia impactar adversamente o investimento do Fundo. Além disso, na medida em que os participantes do mercado desenvolvam uma preferência por uma criptomoeda em relação a outra, o valor da criptomoeda menos preferida provavelmente seria afetado adversamente.

A exposição do Fundo à criptomoeda pode mudar ao longo do tempo e, consequentemente, tal exposição pode não estar representada na carteira do Fundo em qualquer momento. A criptomoeda é uma inovação tecnológica com um histórico limitado; é um ativo altamente especulativo e futuras ações regulatórias ou políticas podem limitar, talvez em uma extensão materialmente adversa, o valor do investimento indireto do Fundo em criptomoeda.”

A - https://guggenheim.org/foundation

B - https://www.guggenheiminvestments.com/firm/heritage

C - https://www.guggenheiminvestments.com/individual

D - https://www.guggenheiminvestments.com/mutual-funds/fund/gioix-macro-opportunities

E - https://sec.report/Document/0001628280-20-016852/gft112020485afidoc.htm

Quando chega a grana dos grandes investidores o normal é que eles escolham os ativos mais conhecidos, confiáveis e bem posicionados dentro de cada categoria. Entre outros motivos para a escolha do bitcoin existe a questão do limite de valor do ativo. Depois do bitcoin com pouco mais de 350 bilhões temos apenas outras 3 opções com valor de mercado acima de 10 bilhões de dólares. O quinto colocado é o Litecoin com pouco mais de 5 bilhões de dólares. Se olharmos a posição da Grayscale temos mais de 546 mil bitcoins que totalizam mais de 10 bilhões de dólares. Um detalhe a ser notado no gráfico de posição em BTC da Grayscale é o fato de comprarem (parte azul) mesmo quando o preço cai (linha amarela).


Fonte: https://coinmarketcap.com/


Fonte: https://pro.bybt.com/futures/GrayscalePosition