Por onde anda o criador do bitcoin Satoshi Nakamoto

A maioria das pessoas que tem curiosidade e faz alguma pesquisa sobre o bitcoin depara com uma questão: quem foi o criador desse “negócio” tão inovador e que tem tanto potencial? Todos os que se aventuram nesta pesquisa já sabem o pseudônimo: Satoshi Nakamoto. Existem várias teorias, suspeitas e pistas. Alguns indicam que é uma pessoa e outros, como eu, acreditam que trata-se de um grupo de pessoas. Já estudaram as postagens feitas pelo usuário Satoshi Nakamoto, seja avaliando algumas palavras específicas e vinculando a origem delas com a origem do autor como também pesquisaram os horários das postagens. Tudo para concluir que não é japonês e nem mora no Japão, como o próprio usuário Satoshi Nakamoto indicou no cadastro de usuários da P2P Foundation. E foi justamente neste site da P2P Foundation que ocorreu um fato inusitado envolvendo um brasileiro. Os usuários cadastrados no site da P2P Foundation tem uma página pessoal além de interagir no fórum do site. No dia 01 de dezembro de 2018 o brasileiro Fabio Tamanaha acessou a página pessoal do usuário Satoshi Nakamoto e postou uma mensagem escrita em japonês, que numa tradução livre significa: “pela primeira vez tenho o prazer de contactá-lo. Muito obrigado! Daqui do Brasil estou empenhado em aprender e divulgar o bitcoin”. Esta mensagem foi escrita como agradecimento pelo fato do usuário Satoshi Nakamoto ter aceito o usuário brasileiro Fabio como amigo em 29 de novembro de 2018. Fato é que desde 2014, quando literalmente o usuário Satoshi Nakamoto sumiu do mapa ele não tinha feito nenhuma manifestação conhecida pela comunidade. O que será que ocorreu para o usuário Satoshi Nakamoto ter dado sinal de vida? Fica o mistério no ar e o interessante é que envolve um brasileiro.

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Outra questão “interessante” ocorreu nos últimos dias com o nome/pseudônimo Satoshi Nakamoto envolvendo dois pedidos de direitos autorais sobre o “White Paper” do bitcoin. O primeiro foi feito por Craig Wright que costuma se apresentar como sendo o “verdadeiro” Satoshi Nakamoto. Outro pedido também feito junto ao órgão oficial do governo Americano sobre direitos autorias do “White Paper” partiu de uma pessoa com nome chinês de Wei Liu.

https://www.copyright.gov/press-media-info/press-updates.html?loclr=twcop

Por enquanto o que temos é Craig Wright processando quem diz que ele não é Satoshi Nakamoto.

A última notícia é que Satoshi Nakamoto lançou um livro, daqueles para colorir, esta em pré venda na Amazon, em inglês:

Temos mais um candidato a Satoshi Nakamoto, trata-se de Debo Jurgen Etienne Guido que afirma ser o único e verdadeiro autor do White paper e dono do endereço de e-mail "satoshi@gmx.com". Segue abaixo a declaração feita pelo suposto Satoshi:

Eita, apareceu mais um. Virou festa agora haha.
Enquanto não aparecer uma assinatura com a chave do bloco gênesis, é só mais barulho.
Tenho certeza que o verdadeiro Satoshi não vai querer aparecer tão cedo.

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Olá,

Continuando a série “possíveis faketoshis” temos uma nova revelação divulgada em meados de agosto de 2019. Desta vez a narrativa foi amarrada com os fatos históricos que já conhecemos introduzindo no contexto o “suposto” Satoshi. A narrativa previa 3 partes feito no site satoshinrh (satoshinrh - satoshi nakamoto renaissance holdings). A revelação é feita no estilo “narrativa” ou “esta é a minha vida”. Confesso que me parece uma das melhores que eu já vi por aí até agora. Certamente vai convencer muitas pessoas, principalmente os que estiverem chegando agora.

A primeira parte narra a origem, como surgiu a palavra bitcoin, como usou o sistema de numerologia “Chaldean Numerology” a partir do seu nome real para criar o pseudônimo Satoshi Nakamoto. Também assume que não era profundo conhecedor da linguagem C++ na época em que desenvolveu o bitcoin bem como reconhece não ser o autor solitário do projeto admitindo ajuda de diversas pessoas. Relata que durante o processo de criação morava no Paquistão e depois mudou-se para a Inglaterra. A narrativa relata o importante papel de Hal Finney, que chama de gênio. A narrativa mostra fotos do notebook usado para trabalhar na programação do projeto e que usou para começar a mineração. Também teria usado um PC remotamente.

A segunda e a terceira parte foram juntadas, ficou meio que sendo dois em um. Novamente volta a relatar seu fascínio pelos números explicando como usou os números para batizar o bitcoin que curiosamente nada tem a ver com bits de computação ou coin de moeda. Isso me surpreendeu. Outra curiosidade é como ele explica o limite máximo de 21 milhões de bitcoins. Parece que o número 3 tem papel importante na narrativa (revelação em 3 partes, a data do jornal com a manchete usada no bloco genesis é do dia 03, 21 milhões seria 2 + 1) Outra questão numérica foi usada no bloco genesis considerando a data de 03/01/09 e o “kinder ovo” da manchete do jornal inglês The Times. Mais adiante diz que ironicamente passou por problemas financeiros entre os anos de 2008 e 2009. Em 2010 decidiu ter uma vida pessoal e doméstica simples vivendo com sua segunda esposa na Inglaterra. Sobre a conta com um saldo de 980 mil bitcoins que teria sido minerado pelo Satoshi Nakamoto e que nunca foi movimentado diz que é inacessível. Na explicação dada nesta parte existe o relato de que um problema no notebook que ele usava demandou o envio para conserto e no retorno o hard disk tinha sido trocado por um novo e os 980 mil bitcoins se perderam. Diz que desde 2011 trabalha na National Health Service (NHS) no Reino Unido ajudando indiretamente pacientes, médicos e funcionários. Relata ainda que teve um grave problema de saúde em 2015 que exigiu uma cirurgia delicada e alguns meses de recuperação. Satoshi teria revelado sua identidade para sua atual esposa em outubro de 2018.

Finalmente, para concluir este resumo, além de prestar uma dedicação especial para Steve Jobs afirmou que seu nome de nascimento é Bilal Khalid, nasceu no Paquistão onde estudou na Al-Khair Univesity, fez cursos on line em Yale, Duke e na Ucla mas nunca morou nos Estados Unidos. em 2008 mudou legalmente seu nome incluindo James Caan. Novamente teria usado o sistema de numerologia e se inspirado no filme Poderoso Chefão (o ator James Caan interpreta Sonny Corleone), ele seria o poderoso chefão da moeda digital. Encerra com a frase: “Meu nome real é James Bilal Khalid Caan. Mas eu serei eternamente conhecido como Satoshi Nakamoto”.

Como é uma narrativa grande em inglês pretendo fazer um resumo mais detalhado em uma postagem separada, para os que não tem dificuldades com o inglês segue o link abaixo:

https://satoshinrh.com

Estou esperando a terceira parte em que ele vai dizer que está lançando uma moeda nova haha

Satoshi tem bons meios para provar quem é. Criar um website e dividir a revelação em 3 partes não é um deles. Isso me parece mais uma estratégia de lançamento de produto.

De qualquer forma é divertido de ver como as pessoas estudam a fundo a história e tentam até replicar o estilo de escrita do Satoshi.

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Tiago,
Não vai ter parte 3, juntaram a segunda e a terceira parte numa só que já foi publicada revelando nome e foto. Por curiosidade e para entender melhor estou traduzindo tudo para entender melhor essa narrativa. Terminei a parte 1 e estou começando a parte 2. Quanto a escrita já tem uma explicação, é feito em forma de narrativa pessoal mas foi revisado pela equipe do Satoshi (a empresa de RP do Ivy). Concordo com você, tem cheiro de algum lançamento. Uma coisa é certa, tiveram um grande trabalho para explicar algumas coisas como a origem da palavra Bitcoin ter nascido da sigla BCCI com “the” na frente (theBCCI). Pode ser desde uma nova moeda digital, biografia, filme, seriado, brinquedos e tudo mais que servir para ganhar dinheiro. Depois faço um resumo e posto aqui, quando terminar de traduzir tudo. Tem muito misticismo, tem muitas citações meio filosóficas, tipo fiz pensando em pessoas pobres e sem acesso a bancos, quero um mundo melhor, não deixaram eu abrir conta em banco, etc.

Olá,

Bitcoin também é cultura. Para os que se deram ao trabalho de dar uma olhada nas revelações feitas pelo suposto “Satoshi Nakamoto” ou para os que como eu que dispensaram um pouco mais de atenção notaram que a criação do Bitcoin tem origem no BCCI - Banco de Crédito e Comércio Internacional. Para quem se interessar existe um filme específico sobre a história do BCCI que está sempre passando na TV e dá uma boa ideia do que era o BCCI e outro que faz ligação entre o BCCI e o submundo:

“The International” (Trama Internacional) - Diretor: Tom Tykwer e roteiro de Eric Warren Singer. Ano: 2009. Tipo: Suspense político. Atores principais: Clive Owen e Naomi Watts. Tema: inspirado no escândalo do BCCI;

“The Infiltrator” (Conexão Escobar) - Diretor: Brad Furman. Roteiro: Ellen Brown Furman. Ano: 2016. Tipo: Drama biográfico. Ator principal: Bryan Cranston.

Obra individual ou coletiva?

Com muito esforço dos meus três neurônios, mais por curiosidade do que por fé na narrativa, acho que depois desse esforço restaram apenas dois neurônios funcionando, li as três partes que depois se transformaram em duas da revelação de Satoshi Nakamoto, que ocorreu em Agosto de 2019.

A narrativa onde o suposto Satoshi Nakamoto se revelou para o mundo é feita em primeira pessoa. Mas não significa que foi escrito por ele, conforme nota inicial a publicação é resultado de um trabalho feito por uma equipe (Satoshi Team) a partir de relatos feitos pelo suposto Satoshi. Explica o motivo e a forma usada para chegar ao nome Bitcoin. Diz que é fã de numerologia e demonstra alguns cálculos com base no sistema Chaldean de numerologia fazendo relação com datas, fatos, nomes, etc. relacionados a criação do Bitcoin. Explica como perdeu a senha de acesso uma conta que tem saldo de 980.000 bitcoins que tinham sido minerados por ele no início. Narra uma série de problemas pessoais desde questões financeiras até de saúde incluindo uma cirurgia de coluna. Diz que tinha muito medo de se apresentar e que tentou levar uma pacata vida de funcionário administrativo do INSS inglês conhecido por lá como NHS - National Health Service . Mas vendo que o Bitcoin afastou-se dos ideais que ele imaginou ao criar o Bitcoin ele resolveu aparecer para mostrar a versão pura do Bitcoin. Questionado pelo twitter se faria uma ICO afirmou categoricamente que não.

O primeiro ponto a ser questionado é o fato dele se apresentar como sendo o único criador do Bitcoin, tentando capitalizar individualmente o sucesso alcançado pelo Bitcoin. Se nós não conhecessemos o Bitcoin, ou seja, se tivesse sido um fracasso ele iria aparecer também, perguntar não ofende certo? Reconhece a ajuda de várias pessoas mas se apresenta como alguém que teve a ideia, inclusive relatando fatos históricos e reais que o levaram a criar o Bitcoin, que reuniu diferentes pessoas que ele não conhecia em locais distantes, pessoas com grande capacidade técnica e conduziu essa ideia do Bitcoin e as pessoas que se envolveram no projeto até o lançamento e os ajustes iniciais após o lançamento. As primeiras palavras da narrativa são “Eu sou Satoshi Nakamto” e toda a narrativa é feita em primeira pessoa, sempre eu, eu, eu…um exemplo disso é a parte onde diz “Eu publiquei o white paper …” no tópico Mais Cryptografia, Parte II e III (agrupadas) das revelações:

My Reveal - Part II and III - More Encryptions

I began working on the decentralised digital currency in 2007. While the recession fiasco of 2008 was taking place, on the 31st October 2008, I published the white paper “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System.” There was a reason to choose this date as this sums up to 15, which is the same as the Bank of Credit and Commerce’s numerology number.

Daí vamos até o white paper para dar uma olhada no texto sendo fácil perceber que o white paper é escrito sempre no plural, ou seja, sinaliza que é uma construção coletiva. Essa mudança de singular e plural até pode ter sido feita de propósito para confundir, não se pode descartar esta hipótese considerando que o Bitcoin nasceu com envolvimento/colaboração dos cypherpunks que são grandes defensores do anonimato na internet.

No e-mail enviado em 31/10/2008 por Satoshi Nakamoto falando de uma novo sistema de dinheiro digital o texto, começa da seguinte forma: “ I’ve been working on a new eletronic cash system that’s full peer-to-peer, with no trusted third party.” Me parece que uma pessoa (individualmente) está afirmando que criou algo. Confesso que não li todos os e-mail e postagens feitas pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto e particularmente não vi até agora nenhuma menção de que esta afirmação individual (Eu tenho trabalhado…, no singular) tenha sido refutada ou contestada. Esse silêncio também pode ser proposital.

Por outro lado, quando se analisa o documento que consolida as ideias do projeto ( white paper ) encontramos a construção das frases sempre no plural, usando a palavra “ we ” (nós propomos, nós definimos, nós implementamos, nós consideramos, nós começamos, etc.), segue alguns exemplos:

Abstract.

…” We propose a solution to the double-spending problem using a peer-to-peer network.”…

1. Introduction

…“In this paper, we propose a solution to the double-spending problem using a peer-to-peer distributed timestamp server to generate computational proof of the chronological order of transactions.” …

2. Transactions

We define an eletronic coin as a chain of digital signature.”

3. Timestamp Server

“The solution we propose begins with a timestamp server…”

4. Proof-of-Work

“For our timestamp network, we implement the proof-of-work by incrementing a nonce in the block until a value is found that gives the block’s hash the required zero bits.”

11. Calculations

We consider the scenario of an attacker trying to generate an altertanate chain faster than the honest chain…”

12. Conclusion

We have proposed a system for electronic transactions without relying on trust. We started with the usual framework of coins made from digital signatures, which provides strong control of ownership, but is incomplete without a way to prevent double-spending.”

Na minha modesta conclusão a respeito do Bitcoin ter um criador ou vários, onde realmente está o que interessa que é a idéia do Bitcoin escrita no white paper , não dá para assumir que se trata de uma obra individual, pelo contrário, os indícios são de uma obra coletiva. Eu sempre estive inclinado a acreditar que o Bitcoin é uma obra coletiva e fica cada vez mais difícil acreditar que é uma obra individual, que Satoshi Nakamoto é um único indivíduo. Em termos percentuais dou um crédito de uns 5% de chance contra 95% de que é uma obra coletiva já que não tenho como provar uma coisa nem outra, são apenas conclusões feitas a partir da leitura de alguns textos como o white paper e a narrativa de revelação.

Para que os textos não fiquem muito extensos farei outras postagens a respeito da revelação.

Intencionalmente ou International?

Na primeira parte o suposto Satoshi Nakamoto passa boa parte do tempo tentando explicar e se esforçando em dar uma aura racional ou matemática para a criação do Bitcoin. Desde o nome Bitcoin, o pseudônimo “Satoshi Nakamoto”, nome de usuário de e-mail, datas, nomes de domínio na internet e até mesmo conexões religiosas são narradas com amparo em números. Eu não entendo nada de numerologia e muito menos do sistema Chaldean que ele usa e que é um dentre outros sistemas de numerologia que existem.

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São muito antigos e não estou aqui para validar nem contestar, respeito os dois lados nesta e também em outras questões controversas ou não. A princípio, na parte relativa aos cálculos me pareceu possível dar uma conferida na exatidão. O sistema atribui basicamente um número para as letras (consoantes e vogais) numa espécie de tabela e depois você verifica qual é o número que equivale a cada letra, faz a soma e procura o significado do número que resultou da soma. Curiosamente o sistema não usa o número 9 mas nem fui atrás para saber o motivo até porque não é o nosso objetivo. Também não sei dizer se o significado dos números obtidos são ou não são os adequados mas também não tem importância, acredito que devem estar corretos, não teria sentido ter tanto trabalho para no final distorcer a tese. Mas voltando aos nomes e números a partir da numerologia Chaldean a narrativa segue usando números, nomes, datas e religião (a religião entra no sentido de dar ao Satoshi um destino, mas na verdade seria melhor dizer predestinado a mudar o sistema financeiro mundial, nas palavras dele mesmo que constam na narrativa). Logo no início ele diz mais ou menos o seguinte: Eu estava convencido que fiz história e realmente fiz. “I was adamant that I would create history and I did.”

Calcula-se corretamente com o uso da numerologia Chaldean o pseudônimo Satoshi, o apelido de infância Shaikho, o nome do banco BCCI, datas, etc. sem maiores problemas até que no tópico “More Encryptions” ou Mais Criptografia na parte II e III agrupadas tem uma demonstração de cálculo que busca como resultados os números 32 e 55 que são citados em outros pontos da narrativa. Satoshi Nakamoto por exemplo pela numerologia Chaldean resulta em 55 que significa homem total e completo com poder de derrotar qualquer inimigo que enfrente. O número 32 transformado em letras é igual a 23 (segundo a narrativa) e 23 é número obtido da palavra Bitcoin e the BCCI além do que a soma resulta em 5 que remete ao planeta Mercúrio, mensageiro de Deus na astrologia.

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Fonte: www.satoshinrh.com/my-reveal-part-2

Estranhamente para obtenção destes números 32 vogais e 55 consoantes a partir do nome por extenso do BCCI a palavra International foi “esquecida”. O cálculo para se obter os dois números (32 e 55) é feito usando-se as palavras Bank of Credit and Commerce, sem o International que está na sigla e faz parte do nome. Não sei qual é a justificativa e se podemos desconsiderar parte do nome em alguns cálculos, fato é entre as diversas demonstrações de uso da numerologia Chaldean este cálculo fugiu a regra dos demais cálculos.

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Este assunto ainda vale pelo menos mais um postagem futura.

Para concluir este assunto que já deu o que tinha que dar faço algumas reflexões sobre a narrativa. Como Satoshi é Paquistanês, um dos cinco países que mais perseguem cristãos, fica mais difícil lidar com a tese bíblica do bloco gênese, dos 6 dias que foram necessários para se minerar o bloco gênese e sua correlação com a tese bíblica referente a criação do mundo em 6 dias e o descanso no sétimo (Genesis 2.2 para os detalhistas). Podia ter citado na narrativa uma outra conta que lhe é atribuída, a conta para onde foram direcionados os 50 bitcoins de recompensa pela mineração do primeiro bloco e que depois disso, ao longo dos anos já recebeu pequenas “doações” que chegam perto de 20 bitcoins, ou seja, a conta tem cerca de 70 bitcoins, a preços atuais representam cerca de USD 700.000 dólares, uma quantia razoável. Existe um foco muito grande com amparo na numerologia (talvez para dar uma ideia de precisão e lógica na narrativa) para explicar escolhas (nome Bitcoin, datas, pseudônimos, etc.) na criação do Bitcoin que no fundo nem são tão importantes, apenas são curiosos.

Aqui você pode ver o saldo da conta com saldo de quase 70 bitcoins que é inacessível:

https://www.blockchain.com/btc/address/1A1zP1eP5QGefi2DMPTfTL5SLmv7DivfNa?offset=0&filter=6

A história do “laptop” com defeito que volta do conserto com “HD” trocado cai bem no enredo mas não cai bem para alguém que se diz visionário, mas para justificar o fato de que não consegue acessar a conta com o saldo de 980.000 e lamentar por isso não cola direito. Aliás, faltou o velho e bom backup e mesmo depois de quase dois anos, ainda faz contas usando o preço de USD 20.000 que é aquele teto alcançado em dezembro de 2017, poderia ter usado preços atuais. Cabe refletir porque alguém que se vende como uma pessoa mística dá tanta importância aos 980.000 bitcoins, poderia simplesmente dizer que era seu, que perdeu a senha e pronto. Ou então poderia dizer que lamenta o fato de ter perdido a senha porque poderia doar tudo para crianças carentes lá no Paquistão. Talvez essa confissão de apego a valores bilionários esteja revelando algum sentimento pessoal materialista ao contrário do personagem idealista que tenta vender. Para alguém que não gosta do rumo tomado pela sua criação incluir um gráfico de preços mostrando o quanto evoluiu e lamentando a perda de 980.000 bitcoin não me parece nada místico e sim materialista, não que isso seja demérito, mas se contrapõe a imagem que tenta vender.

Nenhuma menção ou praticamente quase nada foi dito sobre Blockchain, Criptografia, Economia e algumas outras pessoas que segundo consta foram importantes no processo de criação do Bitcoin. Nada sobre evitar o gasto duplo que foi uma grande solução para o problema do dinheiro digital, nada sobre rede P2P descentralizado, SHA 256, a enorme capacidade atual em hashes do sistema, surgimentos dos processadores ASIC’s, etc. Apesar de usar muita numerologia a narrativa não traz nenhuma parte mais técnica como era de se esperar.

O medo de se revelar porque sua criação estava sendo usado para fins criminosos na dark web também não se justifica. Essa distinção é muito básica. Uma coisa é a obra em si, a invenção, o produto criado. Outra é o seu uso por qualquer outra pessoa, isso foge ao controle do criador. A própria Internet que possibilitou o surgimento do Bitcoin tal como ele foi criado tem seu lado sombrio. Aviões podem ser usados para bombardear e matar pessoas. Carros já foram armas usadas para atropelar outras pessoas deliberadamente. Para mim essa história não cola porque o FBI realmente investigou e prendeu traficantes que estavam vendendo drogas na dark web aceitando bitcoins em pagamento mas posteriormente o próprio Departamento de Justiça Americano leiloou milhares de bitcoins apreendidos, recolocando-os no mercado. Isso não acontece com drogas ou produtos falsificados que são destruídos. Porque o criador seria preso se o Governo Americano não considera o Bitcoin ilegal? Não faz sentido, aliás faria sentido se ele aparecesse e ajudasse o FBI ao invés de ficar escondidinho morrendo de medo como ele mesmo narra.

Certa altura Satoshi diz que na infância seu apelido era Shaiko. Em alguns artigos que eu andei olhando existia um executivo no BCCI com o nome de “Shaikh Mohammed Ishaq”. Em outros artigos notei que se escreve “Sheik” em inglês para Xeique ou Xeque (manda chuva no mundo árabe). Algum corintiano por aí lembrou do Emerson Sheik…Mas sei la´, o apelido de infância era Shaikho, tinha um executivo chamado Shaikh no BCCI e Sheik (manda chuva no mundo árabe) tá bem confuso e estranho esse negócio para mim que não entendo nada de nomes. Para mim parece tudo meio igual, será?


Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Bank_of_Credit_and_Commerce_International

Mas de toda essa narrativa, o que não cai bem na minha visão é o fato de alguém tentar vender uma história amarrada num negócio podre como é o BCCI, envolvido com lavagem de dinheiro, corrupção, cartéis de drogas, etc. em níveis globais. Simplesmente não dá para comprar essa ideia de alguém que tenta preservar o nome de um banco tão sujo na história bancária. Acho que ninguém nunca duvidou que Bitcoin veio da junção de “bit” e “coin”, isso tem muito mais lógica e não precisa fazer nenhuma continha para aceitar esse nome e sua origem Bit+coin. Poderia ter dito que tirou a sigla BCCI (Board of Control for Cricket in India) mas como Paquistão e Índia não se bicam não pegava bem né. Aliás, o BCCI esteve muito próximo de fincar seus pés no Brasil tendo contrato agentes como estudar as nossas leis e os bancos em condições de serem comprados. Isso ocorreu bem na época em que acontecia a transição do governo militar para o civil, quando José Sarney assumiu a presidência. O BCCI aqui no Brasil ia nadar de braçada. Na Argentina, por exemplo, o BCCI efetivamente esteve operando. Vai ver é por isso que os hermanos não tiram o pé da lama, ou melhor do chaco (na verdade a culpa é do Peron e seus discípulos, mas isso é problema deles que um dia já tiveram um PIB muuuuuito maior do que o nosso).

BCCI

Brazil
Fonte: https://info.publicintelligence.net/The-BCCI-Affair.pdf

Em resumo é uma narrativa das arábias que conta fatos conhecidos do Bitcoin misturado com fatos pessoais superficiais da vida de alguém e que supostamente criou algo que vai mudar o sistema financeiro mundial mesmo sendo um grande medroso que agora se encheu de coragem e tenta provar isso fazendo várias continhas para mostrar que é alguém que possivelmente nunca saberemos quem é, porque não é uma pessoa, o Bitcoin é uma criação plural, que se mantém por ser plural e assim será enquanto for plural, essa é a minha visão clara do Bitcoin, parafraseando Satoshi.