Se você vai investir faça algumas contas

Atenção: Não estamos indicando ou recomendando qualquer um dos tipos de investimento/aplicação financeira que são citados nesta postagem. Também cabe esclarecer que não estamos expondo, investigando, julgando, processando, caluniando, ofendendo e/ou condenando nenhuma empresa, seus funcionários, seus terceirizados e nem seus sócios. Os fatos citados nesta postagem foram obtidos através de uma simples pesquisa no site da Google.

Procurando no Google alternativas para obter rendimento diário de 1,5% ao dia encontramos o resultado abaixo:


Pesquisa feita no site: Google.com.br em 21/09/2019

Considerando que essa excepcional condição também já apareceu em outros lugares por aí resolvemos fazer algumas simulações básicas considerando um investimento inicial de R$ 100,00 por dois anos, sem fazer novos aportes e também sem fazer nenhuma retirada nesse período. Não procuramos detalhes operacionais, vamos fazer uma simulação simples e vamos fazer as contas sem considerar os impostos que incidem na maioria dos investimentos. Trata-se apenas de uma demonstração para que os interessados avaliem as reais possibilidades de se obter rendimentos tão vantajosos no mercado financeiro:

Uma taxa de juros (rendimento) de 1,5% ao dia equivale a uma taxa de 56,308% ao mês. Investindo os R$ 100,00 no início alcançamos no final de dois anos um total de R$ 4.523.711,32. Um verdadeiro milagre de multiplicação de dinheiro.


Fonte: https://fazaconta.com/taxa-mensal-vs-anual.htm


Fonte: https://carteirarica.com.br/juros-compostos/#

Para um rendimento de 2,0% ao dia, investindo os mesmos R$ 100,00 você alcança mais de R$ 155 milhões em apenas dois anos. Simulando os cálculos com rendimento de 3,0% ao dia o valor final atinge mais de R$ 174 bilhões depois de 24 meses.

Voltando para o mundo real, simulando um investimento de R$ 100,00 no mercado tradicional com uma taxa de 0,5% ao mês, teremos no final do prazo de dois anos um total de R$ 112,60. Ou seja, um rendimento de R$ 12,60, essa é a vida real.


Fonte: https://carteirarica.com.br/juros-compostos/#

Os juros no mercado financeiro são calculados de forma composta. No site https://fazaconta.com/taxa-mensal-vs-anual.htm você consegue fazer a equivalência entre taxas de juros (diário para mensal ou para anual) para fazer os cálculos. No site https://carteirarica.com.br/juros-compostos/# você consegue fazer os cálculos dos rendimentos de acordo com o valor investido somente no inicio ou, se for o caso, considerando aportes periódicos para tirar sua dúvida. Antes você faz a conversão da taxa diária para a taxa mensal no site anterior. Dá para simular várias situações e não precisa ser nenhum especialista em matemática financeira ou no uso da calculadora HP12c.

Fazendo uma rápida pesquisa no site de buscas Google podemos encontrar vários notícias sobre problemas relacionados a pessoas que acreditaram em rendimentos milagrosos, fora da curva. Esse cenário envolvendo pessoas que estão com dificuldades para sacar seus recursos investidos aumentou nos últimos meses. O que chama a atenção em todos os casos são as garantias de rendimentos muito acima do que se oferece nos mercados tradicionais como Bancos e Corretoras. Normalmente envolve algum produto que ainda não é tão abordado na imprensa em geral (Forex), criptomoedas (quando o preço sobe) ou ainda quando as taxas de juros das aplicações diminuem como é o caso atualmente. Possivelmente esse aumento de notícias sobre pirâmides financeiras e clientes lesados a partir de 2018 pode ter relação com a diminuição constante dos rendimentos obtidos no mercado financeiro tradicional. Ainda temos na memória e na nossa cultura apego a rendimentos até na casa dos dois dígitos sem esforço nem preocupação. Ainda me lembro do tempo em que comprar carro era sinônimo de investimento, vendia-se o carro usado com preço acima do pago na compra do carro novo. Voltando ao foco, pesquisando no Google encontramos rapidamente notícias citando algumas empresas com problemas, na maioria dos casos os clientes estão com dificuldades para sacar recursos entregues anteriormente. Algumas empresas estão sendo avaliadas por órgãos do estado, como CVM - Comissão de Valores Mobiliários, outros estão sendo objeto de muitas queixas no site reclame aqui e há tentativa de se fazer uma CPI na Câmara dos Deputados.


Fonte: Pesquisa realizada no site Google.com.br em 21/09/2019


Fonte consultada em 26/09/2019: https://br.cointelegraph.com

Reportagem exibida em 06/10/19 no programa Domingo Espetacular (faço apenas uma ressalva, a cotação das moedas e das criptomoedas variam a cada segundo ao invés de variar diariamente)

Algumas regras valiosas no mundo dos investimentos: Rendimento passado não é garantia de rendimento futuro; Se alguém está ganhando muito tem gente perdendo; Dificilmente você vai ganhar investindo em coisas que não entende; As pessoas não acreditam em bicho papão, Papai Noel, Saci Pererê, etc. mas acreditam em juros diários de até 3% ao dia.

Existem várias alternativas de investimento que vão além das tradicionais poupança e renda fixa (CDB) dos bancões. Não gosto da expressão “sair da zona de conforto” mas para buscar novas alternativas é preciso gastar algum tempo para entender como funcionam os investimentos principalmente os de renda variável (fundos cambiais, fundos de metais, fundos multimercado, ações, derivativos, etc.). É fundamental não depender das “dicas” certeiras dos amigos, das orientações dos gerentes ou assessores de investimento que ganham bônus por captação de investimentos, dos vídeos onde pessoas desconhecidas e excitadas mostram seus lucros se arrependendo por não terem começado antes, do motorista de taxi e/ou aplicativo, do cunhado, etc. e o principal, na minha visão, aprende-se praticando e nesse caso, sempre comece com pouco para aprender na prática como funciona o mercado. Com o tempo passando você vai entendendo como as coisas funcionam. É um processo igual a estudar e trabalhar (aprendizado e prática).

Obs.: Atualizado em 26/09/2019, 07/10/19 e 28/10/19

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Prosseguindo fizemos uma simulação de cálculo no site do Tesouro Direto, um tipo de investimento que se tornou popular recentemente. Para resumir a história investindo no Tesouro Direto você está emprestando dinheiro para o governo em troca de rendimentos (juros fixos, 100% da selic, essa que o copom baixou neste mês para 5,5% AO ANO ou parte em juros e parte em correção). Usando os mesmos critérios do nosso exemplo inicial, ou seja, simulando um investimento de R$ 100,00 a uma taxa de 1,5% ao dia, por um prazo de 2 anos no Tesouro Direto o resultado seria parecido ou bem próximo da simulação feita anteriormente e neste caso ainda dá para ter uma ideia de quanto se paga de imposto de renda sobre rendimentos obtidos na maioria das aplicações financeiras (atenção: existem detalhes como diferentes percentuais de imposto de renda para diferentes valores e prazos, é apenas um exemplo específico desta simulação). A diferença neste caso é que a calculadora do Tesouro pede taxa ao ano sendo necessário converter a taxa de 1,5% ao dia para taxa ao ano que é de 21.170,37%, sim é isso mesmo, 1,5% ao dia representa mais de 21 mil por cento ao ano. No exemplo da postagem anterior dá para notar que os R$ 100,00 iniciais totalizam R$ 21.267,70 em doze meses.


Cálculo realizado no site: https://fazaconta.com/calculadora-financeira.htm


Cálculo realizado no site:https://carteirarica.com.br/juros-compostos/#

No mundo real, hoje com a taxa básica de juros rodando a 5,5% ao ano não precisa nem fazer força, em dois anos arredondando rende cerca de R$ 11,00 reais brutos de rendimento e no caso dos investimentos no Tesouro Direito você ainda paga imposto de renda (no nosso exemplo, com um rendimento de 1,5% ao dia e chegando aos 4,2 milhões de rendimento líquido na simulação do Tesouro Direto os R$ 100,00 iniciais temos um valor bruto de exatos 5 milhões) depois de 2 anos pagaríamos quase R$ 750.000,00 de imposto de renda), taxa de custódia do papel que você investiu (comprou) e taxa da Corretora, no fim sobra um rendimento inferior a dez reais.


Simulação feita no site do Tesouro Direto: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-calculadora

Se você não se convenceu vendo, conferindo ou refazendo as contas/simulações então inverta a situação. Se coloque no lugar de quem pega os R$ 100,00 para te devolver daqui a dois anos pagando uma taxa diária de juros de 1,5% ao dia. Peça R$ 100,00 reais emprestados e se comprometa a devolver daqui a dois anos pagando juros compostos de 1,5% ao dia. Na largada você já sabe que terá que arrumar R$ 4,2 milhões em dois anos a partir dos R$ 100,00. Topa o desafio? Quem oferece esse percentual de rendimento para a sua grana topa esse o desafio, você acha fácil? Agora aumente quantidade de investidores, em vez de uma pessoa (você no caso) acrescente outras já que esse “negócio é uma maravilha, funciona e você já recebeu no começo”. Se devolver para uma pessoa com esse nível de juros diários é impossível na prática pense como será com dezenas, centenas ou milhares de pessoas colocando tão somente R$ 100,00 sabendo que na prática colocam muito mais pensando no resultado. Na prática quem está entrando é que está pagando para quem entrou antes. Você já chegou no fim de uma festa com muita gente e com comidas gostosas e muitas bebidas?

Entre os economistas existe uma frase bem conhecida: não existe almoço grátis, alguém está pagando. Frase boa mesmo é aquela que diz: quem parte e reparte fica com a melhor parte . Quem parte e reparte numa pirâmide financeira são os que estão no topo dela, aqueles que começaram ou criaram essa “mágica” ou melhor essa ILUSÃO que convence muitas pessoas, assim como os mágicos, no fundo quem cria uma pirâmide financeira está iludindo outras pessoas.

Para entender como uma pirâmide financeira não se sustenta: https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquema_em_pirâmide

E como é que ela desmorona? Olhando a simulação mensal dos rendimentos resultantes, dos R$ 100,00 investidos a uma taxa muito atraente de 1,5% ao dia dá para perceber que em poucos meses ela fica inviável. Com muito esforço e com a captação de muitas vítimas dura uns sete ou oito meses mas a explosão ou desmoronamento da pirâmide é previsível visualmente no gráfico, a coisa até começa razoável mas do meio para o fim explode. Compare o gráfico dos rendimentos obtidos com o investimento de R$ 100,00 em dois anos se parece com o gráfico que compara crescimento linear com crescimento exponencial, linha verde. O que é pior: ganância, tolice ou as duas juntas?


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Crescimento_exponencial#/media/Ficheiro:Exponential.svg


Gráfico obtido no site: https://carteirarica.com.br/juros-compostos/#

Ainda na fase pessimista, a quantidade de investidores pessoas físicas inscritas para operar na bolsa de valores de certa forma permaneceu estável no período de 2007 a 2017, quando passou a crescer de forma mais acentuada.


Fonte: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/acoes/noticia/8260177/bolsa-se-aproxima-de-1-milhao-de-investidores---mas-ainda-e-pouco

Mesmo assim ainda é pequena a participação das pessoas físicas no bolsa de valores. Em comparação com os Estados Unidos, por exemplo, mais de metade das famílias investem em ações por lá, segundo pesquisa do FED realizada em 2016 (citado no artigo do link acima de onde o gráfico foi extraído). Pesquisando no YouTube por “day trade” que é um tipo de operação realizada na bolsa de valores você encontra vários vídeos, alguns ao vivo. Se você assiste vídeos sobre finanças o próprio YouTube começa a mostrar vídeos sobre “day trade”. Em outras palavras, ou seja, em português direto e reto, “day trade” não é ilegal mas é especulação. Este tipo de operação é feito diariamente, você compra ativos durante o dia, mas também os revende no decorrer do dia, ou seja, no final do dia você zera a sua posição de ativos. E como isso é possível? Por causa de uma coisa chamada “marcação a mercado”. Os preços dos ativos negociados no bolsa de valores são marcados a valores de mercado ao longo do período em que os ativos estiverem sendo negociados (chamado de pregão). Por isso os gráficos dos preços variam o tempo todo, sobem e descem. Um tuite do Trump, uma fala do ministro da economia, drones atacando refinarias, tudo gera reflexo instantâneo no preço dos ativos. De forma bem simplificada e resumida você compra um ativo a R$ 5,00 e espera ou quer revender por um preço acima dos R$ 5,00, durante o dia. Tem que fazer contas com os custos (a corretora cobra por cada operação de compra e de venda) e os impostos de cada operação, ou vender com prejuízo mesmo, assim é a vida de um “day trader”.

Você está pensando em ficar rico fazendo “day trade”? Pois então veja o estudo feito a pedido da CVM – Comissão de Valores Mobiliários encomendado para a FGV – Fundação Getúlio Vargas (aquela que calcula índices de inflação e também é uma faculdade de administração entre outras coisas que faz) sobre “day trade” no mercado de minicontratos de dólar e de índices.


Fonte: https://eesp.fgv.br/noticia/viver-de-especulacao-diaria-e-quase-impossivel-mas-tem-cada-vez-mais-brasileiros-fazendo

Porque que se negocia contratos de dólar na bolsa? Não seria mais prático comprar direto no banco, numa casa de câmbio ou usar o cartão de crédito? Sim, para quem quer “pegar” (ou gastar) o dólar não existe outra solução melhor. Na bolsa os contratos que podem ser subdivididos em diversos minicontratos de menor valor para facilitar as operações, como o nome diz, são contratos e qualquer contrato é chamado assim porque tem condições/requisitos como prazo (data de vencimento), valor ou preço, taxa, etc. Ou seja, comprar um contrato ou minicontrato de dólar é o mesmo que comprar dólar hoje para pegar e pagar um preço prefixado hoje numa data futura (geralmente a corretora exige que se faça um depósito que varia de acordo com o valor da operação para garantia e se o preço flutuar para cima ela pode pedir mais depósitos senão ela liquida sua operação). Se o preço do dólar estiver acima do que o preço pago pelo contrato que você comprou então você vende e sai com lucro, pagou menos por algo que hoje está valendo mais (lembrando que no “day trade” você compra e vende no mesmo dia). Se o preço do dólar cair você sai no prejuízo, paga mais por algo que está valendo menos. A graça dessa brincadeira é que você pode comprar e vender os contratos até o vencimento, não precisa ficar ou segurar os contratos comprados até o vencimento. Esse mercado de compra e venda de contratos ou minicontratos é diário, é um mercado onde tem gente vendendo e gente comprando o tempo todo. Não existe só operação de “day trade” de contratos de dólar, você pode comprar e segurar por alguns dias ou até o vencimento, neste caso não é chamado de “day trade”. “Day trade” não tem a ver com outro tipo de operação que pode envolver moedas, chamado de “swap cambial”. Em resumo é uma aposta, mas os especialistas contam com diversos dados e informações sobre o mercado, tendências, gráficos, análises, etc. Além disso, mesmo estando em empresas diferentes e concorrentes, eles conversam. Tubarão normalmente não come tubarão, prefere coisas menores e/ou mais fáceis. Dinheiro não se cria, se transfere, troca de mãos, de bolso ou de carteira. É o trabalho deles para o qual dedicam pelo menos oito horas diárias. E você quanto tempo dedica ou vai dedicar para ganhar tanto quanto ou até mais do que os especialistas que além de tudo tem por trás alguns milhões ou bilhões do banqueiro para investir? Não me leve a mal, não estou desmerecendo capacidade, vontade, esforço e persistência de ninguém. Tudo é possível, até ganhar muito dinheiro, tanto quanto ou até mais do que os especialistas, mas não é algo fácil ou simples. A sorte faz parte e acontece em alguns momentos, mas não é algo constante ou que se possa contar sempre. Pelo menos dê uma olhada no estudo da FGV antes de se aventurar com base numa expectativa que nem sempre se concretiza, por mais que digam que é possível. Impossível não é, mas saiba quais são as chances reais. Entrar num terreno novo é possível e nestes casos sempre é melhor ter o máximo de informações possível. Vale muito a pena dar uma olhada no estudo que desmistifica um pouco a ilusão de se viver “da bolsa”.

Isso está parecendo uma novela, não acaba nunca. Mas vamos em frente. Existem situações no mundo das finanças que representam o céu e o inferno dos investidores. Não é somente no submundo que podemos cair em armadilhas ou ciladas. No mundo regulamentado e fiscalizado, onde se opera de forma legal pagando os devidos impostos e tarifas também ocorrem perdas destruidoras de patrimônio. Os tombos podem ser enormes, desastrosos e algumas vezes insuperáveis. Uma questão a ser bem compreendida por quem vai entrar mais fundo nesse mundo é saber distinguir renda fixa (poupança, CDB, títulos do tesouro pré-fixados) da renda variável (ações, fundos cambiais, criptomoedas) além de separar e não “arriscar” o dinheiro da reserva de emergência (caso aconteça algum imprevisto) antes de sair alocando recursos sem planejamento, numa emergência aquele dinheiro investido em criptomoedas ou ações pode estar valendo muito menos do que foi colocado (investido). Jamais se deve investir vendendo bens ou fazendo empréstimos (tentar ganhar sem ter o recurso). Sem querer ensinar como cada um deve cuidar do seu dinheiro, não é a nossa proposta aqui, é importante que se tenha noção concreta de quanto temos de receita/renda mensal e quanto gastamos (manutenção da casa, financiamento do imóvel, lazer, etc.) e investir somente quando e se sobrar. O ideal é que essa sobra entre o que entra e o que sai seja consistente. Uma planilha ajuda a enxergar melhor onde estamos gastando o que nos custa tanto suor para conseguir todo mês. Existem diversas planilhas disponíveis na internet. É consenso que investir eventualmente não dá o mesmo resultado do que investir de forma consistente e periódica. Claro que é melhor do que não investir nunca mas o melhor resultado vem com aportes periódicos e com um horizonte de tempo de longo prazo.

Falando de armadilhas, o caso da empresa de telefonia OI é praticamente uma “pirâmide” que ocorreu no mercado de ações, é possível ver no gráfico essa pirâmide. Por volta de 2002 suas ações valiam cerca de R$ 35,00 e em meados de 2019 atingiu cerca de R$ 255,00 para valer atualmente menos de R$ 2,00. Com os R$ 100,00 que estamos usando como valor base de investimento daria para comprar cerca de 3 ações em 2002. Se tivesse vendido no auge a R$ 255,00 teria embolsado um lucro de mais ou menos R$ 750,00 mas se não vendeu até hoje, os R$ 100,00 estarão valendo menos de R$ 10,00. Quando as ações caem muito, como ocorreu com a OI ocorre o agrupamento de ações, ou seja, junta-se por exemplo 5 ações que passam a ser consideradas como uma para que o valor mínimo seja pelo menos acima de R$ 1,00 (o valor mínimo aceito pela bolsa para as ações é de R$ 1,00 em lote mínimo de 100). Isso é a renda variável, entramos com R$ 100,00 e podemos sair com menos de R$ 10,00 e não precisa demorar todo esse tempo, essa queda pode ocorrer muito rapidamente, a qualquer momento algum gatilho pode disparar uma fuga dos mercados e suas ações literalmente podem se transformar em poucos centavos. Mas fique “tranquilo”, do chão não passa, ou seja, zero é o limite (não tem graça mas é a realidade).


Fonte: https://www.fundamentus.com.br/cotacoes.php?papel=OIBR3

Os mesmos R$ 100,00 investidos na poupança em 2002 estariam valendo hoje um pouco menos de R$ 350,00.

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Simulação feita no site: https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigirPelaPoupanca.do?method=corrigirPelaPoupanca

Por outro lado a empresa Magazine Luiza valia algo próximo de R$ 1,00 em 2014 e atualmente vale cerca de R$ 36,00 mas vale lembrar que nesse período ocorreram dois desdobramentos de ações, é o contrário de agrupamento (1 ação é dividida em 5, 8 ou 10 conforme o caso com a consequente redução equivalente no valor). No auge uma ação da Magazine Luiza chegou a valer mais de R$ 700,00. A esse preço a compra de ações exigia o desembolso de R$ 70.000,00 já que a bolsa negocia por padrão as ações em lotes de 100. O desdobramento, entre outras questões tem como finalidade facilitar a compra diminuindo o valor. Se alguém comprou um lote de 100 ações da Magazine Luiza a R$ 1,00 pagou R$ 100,00 e se vendeu essas 100 ações no auge a R$ 700,00 embolsou um “lucro” de cerca de R$ 70.000,00 em pouco mais de 3 anos. Ao contrário da queda, quando o chão é o limite, no caso de alta no preço da ação o céu é o limite, não tem teto.

Quando se investe em ações e os preços estão subindo fica difícil sair. É a hora em que a torcida, confiança e a fé se juntam. A gente acha que vai continuar subindo e que vamos ficar ricos. Existe uma frase clássica sobre renda variável: “ela varia”. E ao contrário da renda fixa que parte de um valor inicial para entregar no final um rendimento “modesto para muitos” acrescido ao valor inicial a renda variável pode entregar nada, zero em algum momento. O difícil não é entrar e sim saber a hora certa de sair, contentar-se com determinado resultado e partir para outra, existem centenas de ações boas (tem as ruins também) disponíveis na bolsa.

Infelizmente não guardei “print” do preço das ações da Magazine Luiza a R$ 700,00 mas guardei essa imagem com o preço a R$ 477,00.


Fonte: extraído do site google.com.br em 24/08/2017

A dica básica de hoje é a calculadora do cidadão que o Banco Central disponibiliza para o público no site abaixo onde é possível fazer/simular cálculos de investimentos em TR, Selic, CDI e Poupança ou conferir/simular cálculos de financiamentos com diversos índices.

https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/calculadoradocidadao

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No capítulo de hoje vamos tratar dos “robôs advisors”. Na realidade existem basicamente dois tipos de robôs que são usados no mercado financeiro, os “advisors” e os HTF. Os robôs HFT “High Frequency Trading” são muito diferentes dos “advisors”. Esses últimos chovem no YouTube quando você pesquisa por investimento mas para começar vamos no básico.

Se você quer saber o que são os robôs “advisors” dê uma olhada no vídeo da Nathália, é de 2017 mas explica bem como funciona. Não se apegue aos dados como valor mínimo, tarifas, etc. que podem estar desatualizados, coloco um quadro mais atualizado lá embaixo.

Se você quer saber o que são robôs HTF dê uma olhada no vídeo do nosso amigo portuga, também é de 2017 mas explica basicamente o que são as operações de alta frequência.

Peguei no site do Valor Econômico um quadro com dados mais atuais sobre total sob gestão dos robôs “advisors”, tipo de investimento, valor mínimo, etc.


Fonte: https://valorinveste.globo.com/produtos/servicos-financeiros/noticia/2019/08/20/robos-de-investimento-se-reinventam-para-conquistar-o-mercado.ghtml

Já são mais de 1 bilhão e cem milhões de reais sob controle dos robôs “advisors”. É pouco se considerarmos que os grandões (bancos & corretoras) do mercado financeiro tem mais de 5 trilhões sob gestão. Também é pouco se compararmos com o mercado americano, mas sempre que comparáramos qualquer coisa nossa com o mercado americano é grande a chance de perdemos.

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Esse assunto rende mais do que seriado na Netflix mas sempre tem hora e momento para encerrar. Vamos colocar um ponto final mesmo existindo vários outros pontos interessantes para se abordar. Deixo aqui minha reflexão pessoal sobre esse processo de criação de um produto que promete altos rendimentos, sua oferta e seu desfecho, nem sempre bonito.

Nos primórdios da era da informática os grandes meios de comunicação como jornais, revistas, rádios, estúdios de cinema e redes de televisão conseguiram obter grandes vantagens proporcionadas pelas inovações tecnológicas apoiadas essencialmente na informatização em todas as partes do processo de comunicação institucional, no sentido de existir um CNPJ (estrutura) por trás da empresa de comunicação. Essas vantagens ocorreram na captação de imagens ou dados, na transmissão do conteúdo para algum ponto (redação) onde era processado e depois disponibilizado ao público. Em todas as partes a informática agilizou o processo, reduziu custos e melhorou a qualidade.

Mas em tempos de disrupção, o que era favorável no início se inverteu. No campo dos meios de comunicação, no exemplo que citamos acima, as redes sociais, os aplicativos de trocas de mensagens e a facilidade para a criação e disponibilização de conteúdos visuais trouxeram enormes mudanças na estrutura de divulgação, ou seja, na forma pela qual as mensagens escoam do produtor do conteúdo para o consumidor daquela informação. Há quem acredite que a profissão de jornalista esteja correndo risco considerando que qualquer pessoa com um celular razoável faz vídeos, narra os fatos e publica na internet (acidentes, desastres naturais, incêndios, brigas, esportes etc.) e nesse meio tempo o repórter possivelmente não chegou nem perto do elevador. O que no início trouxe grande vantagem competitiva aos meios de comunicação hoje se torna seu algoz. Como em qualquer processo de disrupção a desagregação das estruturas tradicionais ocorre debaixo de algumas realidades. Se por um lado a distância entre a origem ou fonte e o cliente ou consumidor final se encurta cada vez mais (alguns exemplos: vendas pela internet x lojas físicas, táxis x Uber, máquina fotográfica x smartphone, locadoras de vídeos x Netflix, livros impressos x kindle, moedas fiat x criptomoedas e cartórios x blockchains) por outro também cria uma grande quantidade de conteúdo “sob conflito de interesses muito pessoais” (1- Você produziria uma quantidade enorme de conteúdo daquilo que não gosta? 2 – Como você sabe que esse conteúdo é bom sem saber direito do que se trata? 3 – Quantos “likes” você já deu?) que avança e atua na etapa seguinte do processo, naqueles que distribuem esse conteúdo aos seus grupos de amigos. Ambos, criador e distribuidor ou repassador não estão sujeitos aos controles estruturais inerentes a qualquer empresa (ter CNPJ e tudo que se relaciona a uma empresa como por exemplo o pagamento de impostos, a geração de empregos, concorrência com outras empresas, submissão a controle estatal etc.).

Até onde eu sei vivemos num país livre, no sentido de termos liberdade para escolhermos qual conteúdo vamos consumir. Junto com a liberdade vem a responsabilidade. Todos querem total liberdade de escolha, mas nem todos estão prontos para assumir essa responsabilidade da livre escolha, ao primeiro sinal de problema correm atrás de algum amparo (nessa hora muitos se lembram que existe Estado). Muitas vezes estas escolhas (livres) criam expectativas em cada um de nós. Todo ser humano tem ambições que ficam esperando o acionamento de algum gatilho para se materializar (ganhar dinheiro rápido). O resultado nem sempre é o que se espera ou que se vende/promete quando o gatilho é acionado por influência externa.

Aqui entramos no tema do dia. Narrativas, correntes de opinião e pós/meias verdades são algumas consequências, que já existiam antes da era da informática, mas que se tornaram mais evidentes com as facilidades desta era em que vivemos. Estamos numa época em que podemos ter mais fé numa narrativa feita em casa por alguém que mal conhecemos dizendo que ganha tanto dinheiro por dia que até parou de trabalhar para se dedicar integralmente a essa “atividade”. Por mais que digam o contrário, ser humano não é tão perfeito assim, principalmente quando somos avaliados pelo lado psicológico. Essas narrativas criam as correntes de opinião entre amigos, conhecidos, parentes e colegas afinal quem não quer ganhar dinheiro fácil. Sempre tem os que “compram” essa narrativa “caseira”. Como diziam nossos avós, quem conta um conto aumenta um ponto (já ouviu falar na dinâmica de grupo do telefone sem fio? Pessoas em treinamento juntam-se numa roda e a primeira pessoa de uma das pontas recebe uma pequena história escrita numa folha de papel para ler e guardar. Sua única função é chamar a pessoa ao lado para transmitir em voz baixa com a mais absoluta integridade a mensagem, sem ler e nem entregar a folha, os demais repetem o processo, retransmitem a mensagem para pessoa ao lado, sem que os outros possam ouvir. No fim o último conta para o grupo qual mensagem recebeu, o primeiro que está com a mensagem no papel lê a mensagem. O resultado nunca será igual a mensagem original, muitas vezes até contraria o sentido inicial do texto). Cada pessoa que acredita na narrativa passa a divulgar e certamente melhorar os atributos favoráveis da narrativa. Mas o mundo não se constrói somente com boas narrativas, a realidade se impõe. Um dia descobrimos que não estamos no centro do universo, ou seja, percebemos que tudo aquilo que nos cerca e todas as pessoas e coisas com as quais interagimos não estão girando em torno das nossas vidas para nos fazer feliz, para ganharmos sempre e para termos todo o sucesso do mundo mesmo que o mundo esteja acabando logo ali na esquina. Cada pessoa é o centro de um universo pessoal de inter-relações que no final vai se juntando para resultar no mundo todo, como ele é de forma nua e crua. O problema é que esse mundo todo se movimenta sem que possamos influenciá-lo com nossa a nossa narrativa pessoal atrás do nosso próprio sucesso. Os outros também estão atrás do sucesso e isso pode significar, muitas vezes, o seu insucesso, dependendo da sua preparação para a vida. O alcance da nossa influência é mínimo, de alcance limitado. Tem gente que acredita na história da borboleta na Índia que vai gerar um furação nos Estados Unidos. As coisas acontecem na maioria das vezes contra a nossa vontade, os acontecimentos globais não estão nem aí para as nossas metas, objetivos ou sonhos pessoais de riqueza, sucesso e felicidade. Por fim, chegamos na fase da pós verdade. A narrativa era maravilhosa, as correntes de opinião cresceram em torno de uma narrativa sempre favorável, mas acordamos na pior ressaca do mundo, muitas vezes sem acesso a um dos principais motores de nossas vidas, o dinheiro. Essa balada do dinheiro fácil e dos grandes rendimentos é cruel e castiga a maioria das pessoas que entram nela. Dizem que dinheiro não traz felicidade, mas se você puder trazê-la de avião e na primeira classe ela chega bem mais animada do que no lombo de um camelo debaixo de um sol escaldante do deserto. Ainda sem perder a esperança, apenas um pouquinho desconfiado, você acorda na fase da pós verdade. O que era um sonho dourado vai se transformando num pesadelo interminável. Aquele momento onde a fonte da narrativa passa a relatar fatos e situações que se adaptem a realidade ou muitas vezes, distorcendo a realidade, misturando fatos com ficção. Na maioria das vezes serve para ganhar tempo e para minimizar as críticas que começam a surgir dos mais desconfiados. Nessa fase vale tudo, inclusive acusar os descrentes, intimidá-los, alegar que é “fake news” e chegam a processá-los. Vídeos se tornam escassos ou somem, sites saem do ar, endereços físicos são trocados, começam a aparecer notícias com siglas como CVM, BC, PF etc. Mas em tempos de pós verdade a narrativa diz que tudo está bem, que continuamos operando, que tudo não passa de mal-entendido, que é perseguição dos invejosos ou dos concorrentes maus perdedores, que seu dinheiro será devolvido com todos os rendimentos prometidos etc. etc. Se você está nessa fase seu pesadelo está apenas começando, não durma no ponto, faça contas e duvide sempre dos grandes ganhos. Não é impossível, grandes ganhos ocorrem, mas as chances aumentam na proporção do tempo dedicado ao ganho e a sorte também entra, alguns ganhos simplesmente vieram da sorte e nem estou falando da loteria. Os grandões do mercado financeiro têm muitos recursos (bilhões), podem contratar e pagar os melhores especialistas disponíveis no mercado. É uma indústria e como toda atividade empresarial busca o máximo lucro possível. Não são santos, isso é outro ramo da vida, são donos de empresas. Esse sistema financeiro oficial é estritamente regulamentado, ninguém pode oferecer nenhum produto ou serviço que os outros concorrentes não possam oferecer, trata-se apenas de vontade, capacidade ou de lucratividade, entre outros motivos. Tudo que está fora do sistema financeiro oficial, que os bancos ou corretoras não oferecem (exemplo: forex) não é permitido legalmente ou não está regulamentado (bitcoin).

Esse é o terreno pantanoso onde existe de tudo, desde coisas boas até as ruins que destroem vidas física e mentalmente. Dizem que na corrida do ouro os que realmente ganharam dinheiro foram os vendedores de pás e picaretas. E você? Está vendendo sua alma acreditando em exceções ou está comprando um futuro melhor, de forma segura e gradual como deve ser a realidade para a grande maioria das pessoas comuns?

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Olá,
Resolvi reativar esta postagem antiga para colocar um link de uma pesquisa feita pela Sebrae, CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Na realidade não são 11% dos brasileiros e sim 11% dos internautas, mesmo assim os dados são reveladores e mostram entre outras coisas que as “iscas” basicamente são parecidas e as pessoas continuam mordendo. Quase a metade dos pesquisados afirmou que já caiu em algum golpe. O “outro lado”, aquele que quer tirar seu dinheiro também sabe disso. Quem não “torrou” o décimo terceiro e está pensando em investir deve ficar atento para promessas de altos retornos, amigos e parentes lucrando muito, etc.

https://site.cndl.org.br/11-dos-brasileiros-ja-perderam-dinheiro-em-esquemas-de-investimentos-fraudulentos-aponta-indicador-cndlspc-brasil/

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Fala, cecilio! É incrível esse mercado, são infinitas possibilidades. Eu já tentei operar como Day Trader, e falhei. Rs. Mas vida que segue, ficou o aprendizado, que com certeza me ajudou bastante, aprendi a ser organizado, paciente, fazer planejamento, analisar todos os parâmetros com calma e sob pressão,mas principalmente, aprendi que trata-se apenas de ‘comportamento humano’, ou seja, tudo é possível para às vezes nada fazer sentido. Já estou faz um tempinho no mercado de ‘cripto ativos’, seja como investidor e/ou estudante apaixonado pela inovação. Seguindo neste tema, no caso estou planejando atuar como consultor nesta área, pois vejo que os esquemas de pirâmides, estão se alastrando feito folgo na floresta amazônica. Sou estudante de Sistemas de Informação, e já investir uma alta quantia de dinheiro em aperfeiçoamento neste tema, seja como estudante(parte técnica), ou como investidor. Gostaria da sua opinião. Será que consultoria nesta área é aceita pelo público?

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Ah! Cara, ficou muito bom estes artigos!

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Olá Izaque,

Todos nós nascemos iguais no sentido de sermos discos rígidos sem nada gravado. A medida que o tempo passa e vamos crescendo uma das influências mais relevantes que sofremos na construção do que nos tornaremos no futuro é o meio onde vivemos (família, amigos, escola, bairro, cidade, estado, etc.). O potencial positivo ou negativo destas influências é marcante para o resto das nossas vidas. Resumindo, o meio em que nascemos e crescemos tem influência na nossa formação, não é destino mas influência, para o bem, para o mal ou para mais ou menos que é o caso de bilhões de pessoas no mundo todo. Mesmo pais que não sabem ler e escrever sabem a importância que o estudo representa e se empenham em oferecer essa oportunidade de estudo para seus filhos, muitas vezes com enormes sacrifícios. Mas não basta frequentar a escola e nem mesmo tirar boas notas. Essa é uma ilusão que engana muitos pais que se orgulham dos filhos frequentando a escola. Com enorme orçamento á disposição para a área de ensino, com a quantidade de filhos diminuindo ano a no e com enormes avanços na tecnologia ainda estamos construindo um país assentado em índices preocupantes de analfabetos funcionais. Se a educação básica já é deficiente o que esperar da educação mais específica (financeira, saúde, jurídica, etc.) que depende muito de uma boa base escolar. Pessoas investem dinheiro única e exclusivamente porque outras pessoas estão lucrando muito, deixam de tomar vacinas porque tem medo de morrer, não se atentam para cláusulas contratuais simples, etc. É claro que existem muitas pessoas com formação sólida e consistente acreditando em diversas teorias sem sentido, mas por enquanto, parece que a grande maioria das pessoas com boa formação acreditam nas coisas certas pelos motivos corretos. Nesse sentido me parece que há bastante espaço para ser ocupado por pessoas que se dedicam mais do que os outros no aprendizado de alguma coisa específica a ponto de poder oferecer esse conhecimento em troca de pagamento, popularmente falando, prestar consultoria. Vejo um mercado interessante e promissor se consolidando no mercado financeiro. Entre outras coisas, fruto da recente queda na taxa básica de juros da economia. Isso está empurrando os tradicionais e “preguiçosos” rentintas para novas fronteiras (novas para os brasileiros que viviam num mundo de altas taxas de juros) de investimento.

Raramente eu tenho oportunidade de escrever algo neste fórum de forma livre sem pesquisar, escrevendo apenas o que me vem cabeça como ocorre neste caso, portanto vou aproveitar para esticar um pouco o assunto, tentando mesclar uma visão mais genérica sobre o tema com pontos mais específicos. Espero que a resposta esteja bem assentada nas entrelinhas. Posso até parecer arrogante em alguns pontos mas meus cabelos brancos me dão essa liberdade.

Eu tenho uma teoria, a de que ninguém ganha dinheiro (com investimentos, trabalhando como empregado ou como prestador de serviços terceirizado) se não entende o que está fazendo , ou seja, não ganha dinheiro se não tem o domínio teórico e principalmente prático das alternativas de investimento, das tarefas a serem executadas ou dos serviços a serem prestados. Vale em qualquer nível, seja investindo cem reais ou cem mil, trabalhando como entregador de pizza ou diretor de uma grande empresa, encanador ou consultor tributário. Esse domínio inclui atualização constante e permanente da teoria numa rotina que deve continuar depois dos cursos regulares básicos ou de eventuais especializações. As pessoas que ficam para trás são aquelas que param no tempo acreditando que apenas o acúmulo da experiência será suficiente para mantê-los ativos no mercado. Mas se a parte teórica da aquisição de conhecimento zerou o resultado da equação será afetado considerávelmente. Seja investindo seus próprios recursos ou aconselhando terceiros no mercado financeiro ou prestando serviços como empregado, terceirizado ou atuando como consultor o resultado deve ser a soma de teoria e prática. A equação tem duas variáveis, aprendizado (teoria) + execução (prática) = resultado (experiência). O resultado experiência não depende necessáriamente do tempo, ou seja, não basta esperar o transcorrer do tempo para que ela se materialize. Intensidade tem muito mais efeito no aumento da experiência. Quem projeta e constrói três casas por ano terá acumulado mais experiência do que alguém que projeta e constrói uma casa de tamanho equivalente no mesmo período de um ano. Se um dos componentes da equação zerar, normalmente é o aprendizado que zera, o resultado não será bom. Exemplo prático : Se por acaso, algum dia, uma pessoa próxima e querida precisar se submeter a um processo delicado com risco de vida e você tiver duas opções: um brilhante teórico com centenas de artigos, entrevistas e palestras mas sem experiência prática e do outro lado alguém com o excelente formação teórica e anos de experiência prática qual deles você escolheria? Sempre existirá alguém que prefere a primeira opção, mas é do jogo, cada um vive como pode e como quer. Acredito que a maioria, conhecendo as possibilidaes, escolherá a segunda opção. Não é á toa que desde os primórdias da humanidade se pratica esse negócio chamado de ensinar ou de aprender mas com objetivo de se colocar em prática esse aprendizado. Países que relevam a importância desse aspecto básico da formação de todo ser humano ocupam posições menos relevantes no cenário global. Aliás, esse é um ponto crítico a ser enfrentado pelo nosso país, a nossa baixa produtividade, fruto entre outras coisas da nossa educação que precisa melhorar. Voltando ao ponto, aprendizado constante é essencial mas desde que seja mesclado com a execução prática, o resultado é a experiência.

Isso me leva a outro ponto, qualquer pessoa que faça qualquer coisa está sujeito a cometer erros. Muitas vezes inexplicáveis, difíceis de serem entendidos sob uma ótica razoável, mas eles estão por aí acontencendo a todo momento, em todos os cantos do mundo. Em casa, no caminho para o trabalho, no lazer, no trabalho, durante as compras, etc. Dizem que só não erra quem não faz nada. Aqui vai a minha segunda teoria que está ligado a primeira sobre aprendizado e execução. Existe o erro clássico que nasce da distração durante a execução de uma tarefa. Aquele alerta do celular dizendo que chegou uma mensagem e termina numa batida do carro, a campainha que toca enquanto você frita o bife que acaba torrando, a torneira que fica aberta quando não tem água e termina inundando a casa quando a água volta além de aumentar a conta no fim do mês, aquele errinho numa linha do programa que você não percebeu porque prestou atenção em alguém no ambiente e você demora para achar porque aquele errinho ocorreu justamente onde a sua mente estava focada no ambiente, etc. Mas eu quero abordar aqui outro tipo de erro, o erro cometido por falta de conhecimento, o pior erro. Quem comete este tipo de erro não tem o domínio teórico completo da tarefa ou teve a oportunidade de aprender mas entendeu errado. O erro nasce da execução incorreta da tarefa na crença de que está sendo feito da forma correta. Quem comete este tipo de erro tem muita dificuldade em reconhecê-lo, culpando quem ensinou, o local onde trabalha ou mesmo tentando convencer que executou a tarefa corretamente mas não consegue explicar porque o resultado não foi o esperado. Então temos erro por distração e erro por falta de conhecimento. Não tenho dados estatísticos para afirmar qual é mais ou menos ruim. Depende muito do resultado e se você foi afetado ou não pelo erro. Os dois tipos de erro podem ser evitados mas o segundo é mais difícil de ser evitado porque a pessoa não sabe que “não sabe”. Já tentou convencer alguém assim? Pois é, haja paciência, pior ainda é cruzar com duas ou mais pessoas que não sabem que “não sabem”. Teoria mais prática é igual a experiência, que não se compra, não se rouba, não se vende, não se troca e tampouco se distribui por aí.

Focando específicamente na questão dos investimentos vale considerar que o ser humano tem uma característica interessante quando lida com investimentos. Investidores preferem acreditar nas “mentiras promissoras” que também podemos chamar de falso conhecimento, ao invés de ficar satisfeito com as “verdades realistas” que é simplesmente a experiência (teoria + prática). Alguém que oferece um investimento “X” ou “Y” dizendo que é o melhor para você sem que ela mesma tenha colocado um mísero centavo nesse tipo de investimento não merece tanto crédito, a equação zera porque uma das variáveis (a prática) é zero. Essa dualidade formada por mentiras e verdades se constrói em cima de, novamente falando em equação, duas variáveis: risco x retorno = resultado. O resultado da equação correta diz que quanto maior for o risco maior será o retorno e vice versa, ou seja, quanto menor é o risco menor será o retorno. A equação errada, que entrega um resultado falso, vende a idéia de risco zero com retorno alto. É quase como “colar na prova” e tirar um zero. No jogo dos investimentos não adianta colar, pode ser que na primeira ou segunda vez não percebam mas colando de forma continuada uma hora você acaba sendo pego, arcando com as consequências. No seu íntimo você sabe que não é a coisa certa, que deveria ter estudado a matéria, mas você pensa com seus botões: os outros colegas também colam (outras pessoas estão ganhando porque eu não posso ganhar também sem entender bem o que é esse investimento). O grande problema é que na escola da vida aqueles que colam se afastam do sucesso, vencer na vida requer bases mais sólidas, se não há solidez uma hora a casa cai, pode até demorar alguns meses de um falso sucesso ou de uma euforia que fatalmente será passageira. Esse tipo de gente tem mais propensão para cair em pirâmides porque trocam a estrada certa e mais longa por atalhos o tempo todo. Sempre querem encurtar o tempo, acelarar o resultado, trocam constantemente a estrada obrigatória por atalhos. Ter conhecimento é como construir uma obra, tem que começar por uma fundação sólida (base firme) ao invés de se gastar mais tempo e recurso com a janela ou com a decoração da sala. Em cima de bases sólidas o conhecimento certamente sustentará uma vida melhor, mais consistente e menos difícil.

Uma coisa importante para se carregar na vida são boas alternativas para cada situação. Talvez seja melhor ter uma moto e um carro seminovos do que uma moto zero. Duas casas simples e confortáveis talvez seja mais adequado do que uma casa enorme e mal conservada. Nesse sentido, se me permite uma sugestão, uma das profissões que mais cresceu no mercado financeiro foi o de Agente Autônomo de Investimentos (AAI). Boa parte do sucesso da XP que recentemente abriu o capital na Nasdaq é fruto da atuação dos agentes autônomos. A propósito, quando estavam criando a XP os donos não sabiam nem qual seria o nome da empresa, quando um dos sócios disse inventa qualquer coisa tipo ”XPTO” no meio da conversa em que se discutia o nome e daí veio o nome XP. O concorrente BTG Pactual está firme na construção de uma rede de agentes percebendo que o uso dos agentes traz benefícios em termos de expansão da rede de captação de clientes e de investimentos, como ficou comprovado no caso da XP. A propósito a letra “G” do nome BTG é de Guedes (o Paulo que é o atual Ministro da Economia). O que eu eu quero dizer com toda essa história de XP e BTG, é que talvez seja interessante pensar ou avaliar numa certificação como Agente Autônomo de Investimentos, trabalhando com investimentos de forma geral (renda fixa e variável) e tendo como diferencial um conhecimento específico de cripto ativos. Focar única e exclusivamente em consultoria sobre cripto ativos me parece que estreita bastante o leque de potenciais clientes, focando apenas num nicho específico (mercado cripto, ainda pendente de regulação mais consistente na forma de uma lei federal, contando com algumas normas específicas como por exemplo da Receita Federal. Neste momento não vejo esse mercado de cripto ativos amadurecido a ponto de proporcionar uma boa renda em termos de consultoria, mas é apenas um palpite de quem não vive essa realidade (consultoria). Vai da sua sensibilidade e da sua vontade escolher uma atuação com uma cesta de conhecimentos mais recheada de opções de investimentos ou com um único produto na cesta para oferecer.

http://www.cvm.gov.br/menu/regulados/agentes_autonomos/sobre.html

https://www.xpi.com.br/seja-um-assessor/

https://www.sejabtg.com

Concluindo, se você quer ser um excelente consultor de investimentos, na minha modesta visão de míope na casa dos dois dígitos a experiência como resultado de conhecimentos teóricos sólidos e vivência na prática de como os investimentos ocorrem (falando claramente: colocando o seu na reta antes de ensinar para os outros) é o caminho a ser trilhado. Como todo caminho qualquer opção na vida tem seus percalços, seus buracos, eventuais atalhos, desvios e certamente haverá um destino lá na frente. Alguns chegam bem, alguns ficam pelo caminho, outros chegam em condições mais críticas. O meio onde nascemos e crescemos, as escolhas mais simples feitas ao longo da estrada e as decisões mais sensíveis que são tomadas durante o percurso é que definem como chegaremos lá naquele ponto chamado destino, que hoje é incerto mas que pode se excelente na medida em que entendemos quais são as decisões mais adequadas. Existem muitas variáveis pessoais/individuais que contam, mas em linhas gerais, eu penso desta forma, ou seja, boa parte do sucesso está na experiência (teoria + prática) e no resultado (risco x retorno) que se entrega aos clientes da consultoria, para quem quer atuar no mercado financeiro. Tenha sempre alguma marca pessoal positiva que seja reconhecido pelos outros em forma de conhecimentos teóricos e práticos acima da média em algum assunto ligado a sua atividade. Não é impossível, não é difícil, não é inatingível e não é um bicho de sete cabeças, precisa apenas ter uma boa cabeça, alguma disciplina, uma boa dose de paciência porque demora e o tempo não se acelera (uma hora sempre tem sessenta minutos) e acima de tudo, ser simpático, porque consultor antipático ninguém merece, mesmo que seja “o cara”.

Se você estuda sistemas de informação me parece que esse é um campo que oferece muitas possibilidades no mercado, ao contrário do incipiente mundo dos cripto ativos, em todo caso, desejo sucesso naquilo que você escolher, mas se não der certo não sofra, parta para outra.

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Olá, Cecílio! Muito obrigado pela sua resposta. Realmente foi muito útil. Ainda não tinha pensado na parte de Agentes Autônomos. Sou o tipo de cara, que gosta de ‘prever o futuro’, e só existi uma maneira ‘adivinha’ o futuro, é construindo-o. Atualmente estou na metade do meu curso, ou seja, ainda tenho a outra metade até minha formação. Gosto de programação, quero vive disto, 0 e 1 sempre me fascinaram e fazer a mágica acontecer é muito emocionante. Mas vejo que nem sempre é possível programar uma solução se não tem ninguém para coordenar as coisas. Sendo, também leia bastante sobre o ecossistemas das Startups, assim eu tente balancear a equação. Agora com este novo ecossistemas de criptomoedas, vejo como uma excelente oportunidade de fazer o que gosto, e ainda ganhar para isto. Mas, creio que será, como vc mencionou, importante obter algum certificação para validar meus conhecimentos na área, isto eu não tinha pensado. Claro que tem muitos outros pontos importantes no seu texto, estes eu também vou aproveitar. Valeu! Agora sempre vou solicitar suas dicas. Rs!

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Caramba! Esta resposta merecia ser enquadrada. :slight_smile:

Pois até poderia fazer com mais frequência se quisesse. Seus textos e opiniões são ótimos e engrandecem muito o conteúdo por aqui. Eu particularmente gosto bastante.

A resposta toda é excelente, mas esta parte em especial resume bem o que eu penso sobre o assunto.

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Em 2019, segundo o Google, a busca peloos produtos abaixo foram os que mais cresceram em relação a 2018.


Fonte: https://valorinveste.globo.com/educacao-financeira/noticia/2019/12/20/busca-por-investimentos-no-google-cresce-45percent-em-2019-fundo-imobiliario-salta-304percent.ghtml

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Me impressiono com o salto de fundos imobiliários nos últimos tempos. Muitos canais de youtube falando sobre isso. Sempre fico pensando se isso não é um indicativo de uma mudança na mentalidade da população (ou das novas gerações) com relação a investir/comprar/alugar imóveis diretamente.

De qualquer forma acho interessante a procura por criptomoedas ter aumentado em um cenário tão turbulento e de notícias negativas desde 2017.

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Fundos Imobiliários (FII) são classificados no grupo dos investimentos de renda variável, junto com ações, derivativos, fundos cambiais e criptoativos, por exemplo. Ou seja, ao contrário dos gráficos de rentabilidade dos fundos de renda fixa que devolvem ao investidor o principal mais juros e/ou correção em forma de reta linear os gráficos de rentabilidade dos fundos imobiliários são do tipo “serrote velho” ou “sobe e desce” de forma não linear. Os investimentos em renda variável, no geral, tendem a recompensar investidores de longo prazo, quando é possível traçar uma reta linear pegando os picos de alta ou de baixa como referência. A renda variável não é lugar para “reserva de emergência”, dinheiro para compras / pagamentos em datas já definidas (imóvel e móveis com data do casamento marcado por exemplo, cirurgia ou parto, viagem de férias com a família, etc.). A questão crucial nestas horas é separar quem entende onde está colocando o dinheiro e quem não entende mas colocou porque algum parente está ganhando com isso, o vizinho está comentando, viu num site que é bom, etc. Quem entende saberá decidir se é hora de sair minimizando perda/prejuízo (administradores do fundo aprontando alguma como por exemplo venda de (s) imóvel(is) da carteira a preços abaixo do mercado, troca de administradores sem maiores explicações, alto índice de vacância (sem locação gerando somente despesas) por muito tempo quando o mercado de construção e locação está crescendo, etc.) ou se não há motivo/explicação razoável e portanto com possível melhora no índice e/ou na cotação do fundo. Vale lembrar que os fundos imobiliários são como condomínios, todos os cotistas podem e devem comparecer nas reuniões para acompanhar e votar. Não se faz nada sem que os cotistas sejam comunicados e convidados para as assembleias com antecedência.
Com base no gráfico de um ano (janeiro/19 a janeiro/20) é possível notar como foi a evolução do índice.


Fonte: https://www.infomoney.com.br/cotacoes/ifix/grafico/

Uma das estrelas do mercado financeiro de renda variável em 2019 continua perdendo parte do seu brilho. É impossível prever qual será o caminho (continua descendo, estabiliza ou volta a subir). Em termos nominais as perdas passaram de 3,2 bilhões.

Quem colocou algum nesse segmento pode estar preocupado, principalmente se entrou em 2019 e viu as cotas subindo continuamente ao longo do ano. Perdeu quem entrou em janeiro de 2020. Quem entrou antes ainda está no lucro e quanto mais cedo entrou melhor, se quiser, pode até sair agora com lucro. Em meados de 2018 já ocorreu algo parecido, houve uma queda no índice conforme gráfico abaixo:


Fonte: https://www.infomoney.com.br/cotacoes/ifix/grafico/

Um mercado que movimentava em torno de 70 milhões por dia em janeiro de 2019 chegou a movimentar num único dia mais de 450 milhões no dia 07/01/2020. Parte dessa migração vem da renda fixa (poupança, cdb’s e fundos de renda fixa). A renda variável (ações, fundos imobiliários, fundos cambiais, etc.) não é um mercado fácil para quem está acostumado com a renda fixa.


Fonte: https://www.infomoney.com.br/cotacoes/ifix/historico/


Fonte: https://www.infomoney.com.br/cotacoes/ifix/historico/

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