Projeto Silica da Microsoft Usa Vidro Para Gravação Digital

Project Silica (Microsoft Research)

Se você é uma daquelas pessoas que gosta de tirar selfies, fotografar e/ou filmar paisagens, fatos inusitados, pitorescos ou momentos com amigos e familiares provavelmente já recebeu algum alerta sobre aquele “espaço gratuito na nuvem” estar quase cheio junto com uma oferta de mais espaço por alguns reais mensais.

Aparentemente invisível para usuários menos afeitos a questões tecnológicas e mais preocupados com as facilidades oferecidas esse armazenamento na nuvem também tem seus limites. Os custos de armazenamento na nuvem não são baratos e nem fixos. Estima que apenas dados armazenados por empresas representam o equivalente ao espaço de 600 bilhões de DVDs ou 2,2 zettabytes. Existem dois conceitos de armazenamento de dados, o mais tradicional é o “data center” que é um servidor da própria empresa alocado em algum espaço físico da própria empresa ou são equipamentos e espaço alugados de alguma empresa fornecedora deste serviço, instalado em local conhecido. Outro modelo é mais conhecido como armazenamento em nuvem, ou “cloud computing” onde os servidores ficam espalhados em diversos locais do planeta sem definição específica do local onde seu “arquivo” está armazenado. Por outro lado os avanços da tecnologia estão gerando arquivos cada vez mais detalhados e por consequência, mais “pesados”, como os novos "smartphones’ capazes de tirar fotos que já ultrapassam a barreira dos 100 megapixels, sem falar nas lentes que capturam imagens a longas distâncias, tudo isso dentro de um aparelho teoricamente de comunicação portátil, vulgarmente chamado de celular ou “smartphone”. Isso cobra seu preço, seja no espaço ocupado pela imagem no próprio equipamento que faz a captura da imagem como no restante da cadeia (envio para um disco rígido, gravação na nuvem, impressão, etc.). Unidades de disco rígido podem apresentar problemas após três anos de uso. Em nível profissional, diferente daquele que adotamos em casa com o nosso PC, considera-se que discos rígidos duram entre três e cinco anos e fitas magnéticas entre cinco a sete anos. Esse é um terreno onde aparentemente a evolução não está conseguindo acompanhar com a mesma velocidade outros campos ligados a tecnologia da computação. Mas isso é uma realidade no mundo da tecnologia, os avanços não seguem em linhas paralelas. No campo do armazenamento de arquivos, os tais “backups”, por exemplo, diz a “Warner Bros” que a cada três anos, todos os seus arquivos de filmes e programas de televisão são regravados em mídias novas para evitar a degradação.

A Microsoft divulgou no início de novembro que conseguiu armazenar e recuperar com sucesso o filme “Superman” de 1978 num pedaço de vidro que tem o tamanho de um porta copo, daqueles que o garçom distribui na mesa antes de colocar os copos da sagrada “breja” gelada em cima, um mero “pit stop” antes de mandarmos espuma e líquido goela abaixo, de preferência várias vezes. Num espaço de 7,5 cm x 7,5 cm de largura e 2 mm de espessura foram gravados 75,6 GB de dados além de alguns códigos adicionais. O termo recuperar lá da primeira fase significa “ler” os dados. Segundo a Microsoft o vidro de quartzo usado na experiência pode ser fervido em água, aquecido em forno, no micro-ondas, desmagnetizado, colocado dentro da água e ainda assim os dados gravados permanecem preservados. Essa experiência foi a primeira prova de conceito do Project Silica. Prova de conceito também conhecido pela sigla “Poc” é a concretização material de uma ideia ou conceito desenvolvido em termos teóricos. É a hora da verdade para qualquer ideia.

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Imagem: https://news.microsoft.com/pt-br/features/prova-de-conceito-do-project-silica-armazena-o-filme-superman-em-vidro-de-quartzo/

A estimativa no atual estágio do projeto é que a gravação feita em vidro (usando técnicas largamente adotadas nas cirurgias para correção de miopia conhecida como LASIK) que altera permanentemente a estrutura do vidro consiga preservar os dados gravados por séculos sem exigir maiores cuidados que são imprescindíveis atualmente como remoção da umidade do ar e refrigeração que são exigidos nas estruturas atuais, seja nos data centers ou nos vulgarmente chamados arquivos na nuvem. Além disso ajudarão na economia de energia já que não exigem tanta refrigeração.

Parece promissor e tornando-se comercialmente viável será um avanço inclusive para o garantir armazenamento dos blocos (transações do Blockchain) por mais tempo e com segurança.

Site do Projeto:
https://news.microsoft.com/pt-br/features/prova-de-conceito-do-project-silica-armazena-o-filme-superman-em-vidro-de-quartzo/

Vídeo recente do Poc:

Vídeo sobre o projeto:

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