O assunto ganhou tração nos últimos dias por causa da demissão de cerca de mil funcionários do Banco Itaú, basicamente sob alegação de baixa produtividade relacionadas ao trabalho remoto.
Algumas manchetes usaram a palavra “em massa”. Mil pessoas perdendo o emprego na mesma empresa não é algo trivial. Olhando para o contexto, de acordo com publicação do Infomoney a respeito destas demissões o Itaú tem cerca de 85 mil funcionários no Brasil. Tem outros 10 mil trabalhando fora do Brasil totalizando cerca de 95 mil funcionários ao todo. Nesse cenário, considerando números do Brasil, as demissões representam algo em torno de 1.2% da força de trabalho.
Aqui e ali surgiram manifestações de supostos demitidos relatando que tinham acabado de ganhar elogios pela produtividade, que não sabiam do monitoramento, que sempre entregaram o serviço, que trabalharam em feriados e fins de semana etc.
Não vamos entrar no mérito disso ou daquilo sobre a questão específica dos motivos da empresa (o principal é baixa produtividade no trabalho remoto) e das alegações de cada um dos que foram demitidos.
Aqui temos dois lados trazidos pelo mesmo canal. Cada um pode tirar suas conclusões.
Alguns supostos motivos que podem ter dado causa aos desligamentos:
Algumas alegações dadas por algumas pessoas demitidas:
O foco aqui é a questão do monitoramento considerando que ainda hoje muitos trabalhadores remotos não sabem ao certo se, e como podem ou são monitorados. Pode ser que parte destes agora desempregados tenham subestimado o nível de possibilidade que o monitoramento oferece. Não vamos entrar em detalhes ou mostrar como driblar, esse não é o nosso objetivo, vamos apenas mostrar que existem algumas ferramentas conhecidas e utilizadas.
No início o monitoramento checava a movimentação do mouse ou a quantidade de teclas pressionadas por minuto. Hoje em dia praticamente tudo que é feito num computador ou está conectado nele pode ser monitorado, incluindo periféricos como webcams, microfones, pendrives e outros dispositivos de armazenamento incluindo a tela, mouse e teclado.
Se você tem um equipamento pessoal como PC ou Notebook não deve conectar esse equipamento pessoal na mesma tela onde está conectado o seu equipamento de trabalho deixando uma janela pequena aberta num dos cantos da tela de olho num jogo qualquer, num seriado, filme ou pior ainda, assistindo aqueles vídeos picantes. Por exemplo, o monitoramento pode capturar e gravar tudo que é exibido numa tela em tempo real, em intervalos ou apenas quando o equipamento está em uso, ou seja, quando o trabalhador teoricamente não está ativo, em outras palavras, não está trabalhando. Qualquer alteração em softwares ou aplicativos, e-mails, mensagens instantâneas, arquivos, impressões etc. estão sujeitos a monitoramento.
O programa mais conhecido e talvez o mais usado é o Bossware ou Tattleware.
Segundo vídeo do Felipe a ferramenta usada pelo Itaú para monitoramento remoto é o XOneCloud. Um dos comentários do vídeo diz que esse programa é “o famoso dedo duro”.
Nesse tema, se tem algo que me parece desmoralizado é o mouse jiggler, disponível na Amazon, hoje em dia não me parece útil.
Nos últimos tempos o Itaú apareceu em assuntos relacionados a demissões. Em dezembro de 2024 Eduardo Tracanella, executivo com 27 anos de casa foi desligado por uso indevido do cartão corporativo. Em 2023 cerca de 80 funcionários foram demitidos sob alegação de fraude no uso do plano de saúde com atitudes como pedidos de reembolso de consultas e procedimentos estéticos e até de massagens. Durante a pandemia cerca de 50 funcionários foram demitidos sob alegação de estarem recebendo auxílio emergencial indevidamente.
De acordo com especialistas como a Profa. Luciana Lima do Insper existe uma mensagem por trás da divulgação dos motivos que levaram o Itaú ao limite da demissão. A empresa calcula e avalia muito bem o risco x retorno desta publicidade que dá para estas demissões. Uma das frases citadas pelo Itaú ao se manifestar sobre as demissões foi: “… confiar e saber trabalhar com autonomia…”.
Para quem tem acesso ao uol ou a folha:
É certo que parte dos demitidos vai bater nas portas do judiciário, outros seguirão a vida em busca de novos empregos e no geral o Itaú vai continuar lucrando seus bilhões. Nem sempre o motivo é claro e objetivo, alguns entram no pacote por escolha pessoal do superior que não simpatiza com alguém. A diferença entre uma promoção e uma demissão pode estar no nível de relacionamento que cada um tem com seu superior. A vida como ela é, ainda é assim, seja no presencial ou no remoto. Não importa se alguém tem poucos meses de emprego, dez ou vinte anos, quando o contratante decide que chegou a hora, o melhor caminho é seguir em frente e buscar outros horizontes. Quem trabalha no regime da CLT sempre estará sujeito a demissão.
Monitoramento remoto: