Introdução
História de cobertura ou cover stories
Títulos Públicos Antigos ou Falsos
Modus Operandi de Alguns Tipos de Fraudes
Consequências
A - Fiscais
B - Criminais
C - Cíveis
Recomendações
Conclusão
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Introdução
Um dos assuntos mais quentes do momento é o caso envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025 e que por sua vez é controlador da Will Financeira (Popularmente citada como Will Bank, um banco digital no modelo fintech), liquidado em janeiro de 2026.
Nosso objetivo aqui não é falar do caso do Banco Master ou de assuntos relacionados aos seus controladores (de direito ou aparentemente de fato) e os respectivos personagens supostamente envolvidos e/ou que giram na sua órbita. No caso específico do caso Master aparentemente as suspeitas giram em torno do uso indiscriminado de títulos de crédito privado, supostamente falsos, que foram negociados para inflar dados contábeis das empresas e dos fundos de investimento de alguma forma conectados ao Banco Master.
Vamos abordar este tema de uma forma mais genérica envolvendo títulos públicos em geral ou qualquer tipo de crédito que ficou “perdido” ou “esquecido” e ninguém se interessou (a não ser os golpistas) e estão ali “dando mole” para você “se dar bem”. Só que não.
Cabe reforçar logo de início que o objetivo aqui também não é o de ensinar ou dar dicas para aplicação de golpes ou para a prática de fraudes fiscais.
Faremos um breve resumo baseado num material elaborado em conjunto pela Secretaria do Tesouro Nacional, Receita Federal do Brasil, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Ministério Público Federal (link para o PDF no final da postagem). O título é Cartilha de combate às fraudes fiscais e tributárias, com 30 páginas e que está na 2.ª edição, publicada em abril/2025. O Material tem 5 tópicos, além de um texto de apresentação: Fraudes com títulos públicos e outros supostos créditos; Fraudes tributárias; Consequências da fraude tributária; Considerações de ordem prática dirigidas ao público; e Referências. Como se nota pelos tópicos o foco está nas questões fiscais e tributárias, ou seja, o objetivo central do material é alertar as pessoas físicas e principalmente as jurídicas sobre os riscos envolvidos no uso de títulos públicos falsos, sem valor ou direitos creditórios com valor de face, mas geralmente sem valor real, com o argumento de que tais créditos podem ser usados para abater e até quitar tributos federais, entre outras possibilidades.
A oferta costuma chegar nos possíveis candidatos a vítima do esquema mediante narrativas convincentes com uso de termos técnicos e geralmente sob o amparo de supostas empresas de assessoria e/ou consultoria especializada em questões tributárias. A maior especialidade, neste tipo de situação, na realidade, é a aplicação de golpes contra os incautos, que se tornam futuras vítimas do esquema de fraudes.
Nosso país possivelmente tem um dos mais intrincados e complexos sistemas de tributação do mundo. São centenas ou talvez até milhares de leis que nem mesmo a manutenção de grandes departamentos abarrotados de especialistas consegue evitar problemas futuros. Não se sabe ao certo, mas atribui-se ao ex-ministro da Fazenda Pedro Malan a célebre frase “no Brasil até o passado é incerto” e teria sido uma referência a instabilidade/insegurança jurídica. Um bom exemplo disso foi o mais ou menos recente caso envolvendo a Netflix aqui no Brasil e a remessa de lucros para a sua matriz. Para entender um pouco melhor essa questão da Netflix e de como o STF – Supremo Tribunal Federal conseguiu injetar uma montanha de tributos no caixa do governo sem que tivesse sido criado nenhum imposto novo apenas “interpretando” de forma peculiar uma lei já existente, segue um vídeo falado numa linguagem fácil e bem explicativo com pitadas de ironia:
Antes de prosseguir vamos abrir um rápido espaço para separar o que é questão fiscal e questão tributária que estão mais ou menos entrelaçados. O lado fiscal, grosso modo, envolve os aspectos operacionais do dia a dia cuidando de assuntos tais como emissão de notas fiscais e respectivos registros nos livros exigidos pela legislação, cumprimento de exigências tais como entrega de informações periódicas para órgãos do governo, declaração anual de imposto de renda etc. O lado tributário tem mais a ver com o lado estratégico destas questões. Analisa e define o enquadramento tributário buscando eventuais alternativas para redução da carga tributária dentro da legislação vigente inclusive se envolvendo com as questões contenciosas relacionadas ao tema.
Links:
Liquidação do Banco Master
Liquidação da Will Financeira
Cartilha
Continua …