Blockchain 50 - 2021 - Ranking da Revista Forbes

No dia 02 de fevereiro de 2021 foi publicado no site da revista FORBES (famosa por listar as pessoas mais ricas do mundo) a terceira edição do ranking Blockchain 50 2021 (A) de Michael del Castillo. Trata-se de um trabalho que abrange tanto as empresas que negociam criptomoedas como ativo financeiro como também alcança empresas que usam a tecnologia Blockchain para gerenciamento de cadeia de suprimento, contratos inteligentes, controles diversos como de direitos autorais etc.

Em relação a anos anteriores perderam espaço nos últimos 12 meses gigantes como Facebook, Google, Amazon e Ripple que ainda atuam neste universo das criptomoedas e dos Blockchains, mas cederam lugar para outros gigantes como o Banco Industrial e Comercial da China que aparece pela primeira vez no ranking. Entre as 50 empresas ranqueadas encontramos metade (50%), ou seja, 25 empresas com sede nos Estados Unidos seguido pela China com 6 empresas. As demais estão espalhadas por países como Dinamarca, Austrália, Noruega, Holanda, Coréia do Sul, Suíça, Índia, Espanha, Arábia Saudita, França, Inglaterra e África do Sul com pelo menos uma empresa ranqueada.

Agrupando atividades ligadas ao setor financeiro e afins (bancos, meios de pagamento, seguradoras e gestão financeira) temos 17 empresas que representam cerca de 35% do universo de 50 empresas ranqueadas pela Forbes. Mas encontramos empresas de diversos segmentos da economia desde empresas de gás e petróleo passando por empresas Industriais, Farmacêuticas, Comerciais, Bebidas, Softwares, Telecomunicações, e até de artigos de luxo (Luis Vutton) e uma Liga Desportiva (Associação de Basquete).

O que chama a atenção no relatório é o tipo de solução adotado na implantação do Blockchain nestas empresas. Como cada empresa pode adotar mais de um tipo de solução a soma dos percentuais ultrapassa os 100%. Dito isso apuramos que a tecnologia Hyperledger (B) incluindo algumas variações (Fabric, Indy, Sawtooth e Ares) está presente em 30 empresas dentre as 50 ranqueadas representando uma presença de 60%. Logo em seguida temos o Ethereum presente em 21 empresas e um pouco mais distante o Bitcoin com presença em 11 empresas ranqueadas. Quorum com 8 empresas e Corda com presença em 6 empresas aparecem em seguida no ranking da Forbes.

Se eventualmente você está pensando em aprender alguma tecnologia Blockchain específica e tem interesse em desenvolver carreira ou prestar serviços para empresas de primeira linha, líderes em seu ramo de atuação e que faturam ou valem mais de 1 bilhão de dólares talvez seja interessante se dedicar ao aprendizado específico da tecnologia Hyperledger. (C )

A - Blockchain 50 2021

B -

C - https://blockchainlab.com/pdf/Hyperledger%20Whitepaper.pdf

Já que estamos falando da FORBES e dos rankings que ela faz vamos aproveitar o ensejo para deixarmos registrado por aqui a lista dos cripto bilionários (pessoas físicas) que estão na lista publicada no mês de março de 2021. O autor do texto é John Hyatt.

A postagem começa explicando que estamos numa corrida do ouro em versão digital e diz que o aumento no valor do bitcoin e das outras criptomoedas contribuiu para que 9 novos cripto bilionários entrassem na lista da Forbes. O texto registra ainda que no início da pandemia, em março de 2020 (um ano atrás) a economia sofreu um baque e os investidores entraram em pânico trocando ações e outros ativos de risco por dinheiro e títulos do tesouro. Neste momento o bitcoin chegou a cair 50% em um dia. Doze meses depois os ativos digitais estão brilhando como nunca e o preço do bitcoin chegou a bater na casa dos 60k em dólares atingindo isoladamente um valor de mercado superior a 1.1 trilhão de dólares e mais de 1.5 trilhão no conjunto das criptomoedas avaliadas pelo mercado. O texto registra ainda a entrada de grandes empresas (inclusive fora do sistema financeiro como a Tesla e a MicroStrategy) estão aderindo ao universo das criptomoedas com o bitcoin aparecendo nos seus balanços contábeis. No mundo dos bancos o texto cita que o banco mais antigo dos Estados Unidos, o BNY Mellon que tem origem no Banco de New York fundado em 1784 está criando produtos baseados em criptomoedas. O texto finaliza dizendo que a lista geral dos bilionários (com fortuna na casa dos 3 dígitos) espalhados ao redor do mundo ranqueados pela Forbes vai amealhando novos bilionários que tem origem no universo das criptomoedas. Na lista publicada neste ano a lista geral contou com o ingresso de 12 novos cripto bilionários mostrando a evolução deste ecossistema. A lista separa os bilionários em 3 grupos. Os que acreditaram desde o início, compraram lá atrás e não venderam, os que acreditaram e criaram produtos ou empresas para atuar neste ecossistema e por último o grupo dos que criaram suas próprias criptomoedas. Ao contrário do que possa parecer, em princípio, criar uma criptomoeda não é tão difícil, torná-la comercialmente valiosa é outra coisa e mais do que isso fazer com que seja aceita e negociada ou guardada como reserva de valor não é fácil ou simples. Nesta lista temos apenas duas pessoas que participaram da criação do XRP. Ressalte-se que outra dificuldade desta lista, principalmente no caso do bitcoin é que seu criador se mantém anônimo até agora e certamente seria um dos que estariam na lista, caso fosse possível identificá-lo.

The Early Investors

No grupo dos investidores iniciais, aqueles que acreditaram, compraram e guardaram lá atrás, nos primeiros anos em que o bitcoin foi lançado estão:

Os irmãos Winklevoss, Cameron e Tyler cada um tem líquido 3 bilhões de dólares e fazem parte dos novatos da lista. Já contei a história dos irmãos Winklevoss e quem assistiu o filme “A Rede Social” que levou 3 Oscars e conta a nebulosa história da criação do Facebook sabe que os verdadeiros criadores são esses irmãos que tiveram a ideia de convidar Zuckerberger (que já era conhecido como excelente programador) para ajudá-los e acabaram ficando sem o projeto, mas levaram 65 milhões de dólares. Parte deste valor que foi obtido após uma batalha judicial movida contra Zuckerberg foi usado para comprar bitcoins que se transformaram em 6 bilhões de dólares, 3 para cada um deles.

Outro cripto bilionário que entra pela primeira vez nesta lista é Michael Saylor, CEO da MicroStrategy que tem líquido 2.3 bilhões de dólares, a maioria comprados ao longo do ano de 2020.

Outro novato da lista de cripto bilionários é Matthew Roszak que é um fã declarado e divulga o Bitcoin desde 2011. Suas compras atingiram o valor líquido atual de 1.5 bilhão de dólares.

Mais um novato que apareceu na lista dos cripto bilionários publicado neste ano é Tim Draper um investidor em empresas pequenas. Segundo a Forbes a fortuna líquida de Tim Draper é de 1.5 bilhão de dólares. Curiosamente este montante é resultado de uma compra de Bitcoins que foram leiloados pela Justiça Americana depois que foram confiscadas no processo de investigação que tornou famoso mundialmente a marca Silk Road que operava no mercado negro (Deep Web), entre outras coisas vendendo drogas a rodo, lá nos Estados Unidos cobrando em bitcoins.

The Infrastructure Builders

Outro grupo de cripto bilionários surgiu dentre os que se dedicaram a construção de facilitadores para a realização de transações com criptomoedas.

O primeiro nome da lista é Sam Bankman-Fried, outro novato da lista que tem um montante líquido de 8.7 bilhões de dólares, com 29 anos e graduado no MIT. Sam criou uma empresa de pesquisa com foco em operações quantitativas e uma Corretora de derivativos (FTX).

Brian Armstrong é um dos poucos que já constava da lista anterior com 1 bilhão e neste ranking aparece com um montante líquido 6.5 bilhão de dólares. Brian é cofundador da Corretora Coinbase e quando o capital da Coinbase for aberto este montante deve dar outro salto. Segundo estimativa da FTX do Sam Bankman-Fried que faz parte desta mesma lista o valor estimado do IPO (Initial Public Offering - abertura de capital através da venda de ações numa bolsa de valores) da Coinbase é de 140 bilhões de dólares.

Outro cofundador da Coinbase que entra pela primeira vez na lista dos cripto bilionários é Fred Ehrsam com um montante líquido de 1.9 bilhão de dólares. Atualmente Fred tem uma participação de 6% na Coinbase e faz parte do Conselho, mas não atua diretamente na empresa.

Um cripto bilionário que tinha saído e voltou para alista é Changpeng Zhao, o fundador de outra corretora, a Binance. Estima-se que tenha um montante líquido de 1.9 bilhão de dólares.

Mais um novato da lista de cripto bilionários é Barry Silbert, com 1.6 bilhão de dólares, criador da Digital Currency Group fundada em 2015 que tem participação no site CoinDesk e na empresa que faz a gestão dos fundos de criptomoedas Grayscale.

The Coin Issuers

Em outro grupo a Forbes listou pessoas que criaram criptomoedas e não fizeram esforço para ficar anônimo. Este grupo tem apenas duas pessoas, ambas ligadas a criptomoeda XRP.

Chris Larsen tem um montante estimado em 3.4 bilhões de dólares neste ranking em comparação com 2.6 bilhões no ano anterior. A Forbes estima que ele mantenha mais de 3 bilhões de XRP’s em seu poder além de controlar 17% da Ripple Labs.

O cofundador da XRP & Ripple Labs Jed McCaleb é outro novato da lista com um montante de 2 bilhões de dólares segundo a Forbes. Além de 3.4 bilhões de XRP’s Jed McCaleb também tem 1 bilhão de Stellar Lumens, projeto que ele criou em 2014 depois que saiu a XRP & Ripple Labs.

Seguindo nesta escalada de valorização das criptomoedas, possivelmente no próximo ranking (que deverá sair no início de 2022) teremos novos entrantes na lista. Tenho curiosidade, por exemplo, em saber quando Vitalik Buterin, principal criador do Ethereum, a segunda maior moeda em termos de valor de mercado, entrará nesta lista, apesar do ethereum estar bem distante do bitcoin. Outra conclusão, sem nenhuma métrica, apenas olhando os números estáticos, pode indicar que é melhor criar ou fundar um negócio voltado para dar suporte ou facilitar negócios dentro do ecossistema (como uma corretora ou um fundo de criptomoedas) do que criar uma criptomoeda do zero.

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